quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aos que me inspiram



Tem coisas na vida que a gente precisa falar. Seria um crime não fazê-lo. Uma delas é dizer aos nossos grandes amigos o quanto os admiramos. Ah... Meus amigos, como os admiro e gostaria de ser um pouco mais como vocês. Pordoem-me por demorar tanto a expressar, mas aí vai...


Admiro a garra e o espírito batalhador da Isa. O jeito bem-humorado de Letícia levar a vida. A inteligência e a concentração da Paty. Pra não mencionar a simpatia com que a Ana trata a todos.


Mas isso é só o começo. Admiro muito a paciência de Fuxi e a forma compreensiva como ele vê as pessoas. Admiro o altruísmo exacerbado da Tia Marta. A poesia que a Babi consegue enxegar em todos os dias. Por incrível que pareça, admiro demais a maneira às vezes doentia e ilógica como o Theo defende seus pontos de vista um tanto singulares.


Admiro demais a boa vontade do Seu Vilsu. A determinação da Rafinha em levar o evangelho a todos e lutar pelo que ela acredita. Até mesmo a amabilidade escondida por trás da marra que Thaisinha leva no rosto (Bebêêêê!!!!)... Admiro a lealdade que Dudu oferece, além de apreciar bastante as longas prosas ao vivo, via telefone ou internet. E igualmente admiro o carinho e a consideração que, por mais que tente esconder, Matheus tem por seus queridos.




Admiro a facilidade que Israel tem de fazer amizade com todos os tipos de pessoa. E também a solicitude de Renatinho e Rafael. Admiro como o Fê sempre consegue fazer graça de tudo sem nunca exagerar. Admiro demais a vontade de aprender do Thiago e como ele não tem vergonha disso. E como eu admiro o jeito como LPM foi destemido e não mediu consequências para ir atrás do que (e de quem) ele queria!


Deixei por último os mais novos. Admiro o fato de Gustavo, apesar da pouca idade, ser um exemplo de cristão, com sua integridade e maturidade. Também é deveras admirável ver que o Vitor não teve vergonha de admitir que precisava mudar e, mais ainda, admiro o quanto ele mudou e continua buscando evoluir. Admiro a vontade do Pit de ajudar todos os seus amigos a experimentarem do amor de Deus e de seus frutos. Admiro Matheus Ximenes porque, de onde a gente menos espera, vêm as maiores surpresas, como a humildade, conversas engraçadas e a facilidade em tratar a todos com igualdade.


É, meus amigos, os admiro mais do que vocês possam amiginar. E muito mais do que uma simples folha de papel pode carregar. Vocês me fazem crescer e ver que o mundo pode ser um lugar melhor, se aprendêssemos a admirar mais intensamente pessoas como vocês.


sábado, 25 de dezembro de 2010

A Carta

Não costumo fazer isso, mas desta vez, vou deixar que dois velhos amigos meus falem por mim... Abaixo vai o que sinto nas palavras de Djavan e Gabriel, O Pensador:


Não vá levar tudo tão a sério
Sentindo que dá, deixa correr
Se souber confiar no seu critério
Nada a temer
Não vá levar tudo tão na boa
Brigue para obter o melhor
Se errar por amor Deus abençoa
Seja você

No que sua crença vacilou
A flor da dúvida se abriu
Vou ler a carta que o Biel mandou
Pra você, lá do Brasil:

"Eles me disseram tanta asneira, disseram só besteira
Feito todo mundo diz.
Eles me disseram que a coleira e um prato de ração
Era tudo o que um cão sempre quis
Eles me trouxeram a ratoeira com um queijo de primeira
Que me, que me pegou pelo nariz
Me deram uma gaiola como casa, amarraram minhas asas
E disseram para eu ser feliz

Mas como eu posso ser feliz num poleiro?
Como eu posso ser feliz sem pular ?
Mas como eu posso ser feliz num viveiro,
Se ninguém pode ser feliz sem voar?

Ah, segurei o meu pranto para transformar em canto
E para meu espanto minha voz desfez os nós
Que me apertavam tanto
E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela
E sem o peso das algemas na mão
Eu encontrei a chave dessa cela
Devorei o meu problema e engoli a solução
Ah, se todo o mundo pudesse saber
Como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura,
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Livro


Deixo pra trás a velha brochura
Páginas puídas e amareladas
Orelhas nos cantos
Marcas do descuido de mil gerações

Me pegam, me torcem
Me amassam, me dobram
Passo de mão em mão
Cumpro meu destino
Pois não fui feito

Pra ser de um par de olhos só
Venho agora em nova edição
Capa dura e tudo
É comemoração
De quem resistiu ao tempo
E tem sua missão

Páginas alvas com cheirinho de novo
Nenhuma mácula
Nehuma marcação
Esperando que passe logo o tempo
Pra de novo útil eu me sentir

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A fantasia de Norma



O domingo chegara... Estava na hora de usar sua fantasia preferida de dia das bruxas. Dia das bruxas? Não, jamais! Não num domingo! Se fosse terça ou quarta-feira tudo bem, mas num domingo jamais. O nome era inaceitável, mas a fantasia não.

As roupas curtas e cheias de reentrâncias como sempre, afinal gostava de se vestir assim. Pensou por um momento que estavam exageradas, mas os homens não olham pra decotes num domingo. Nos outros dias da semana, tudo bem... Mas se olhassem num domingo é porque eles que estavam errados, isso sim! Porque não se olha com malícia para coxas à mostra num domingo.

Entrou no carro e colocou uma música que edificasse, afinal de contas era domingo. Escondeu o cd da Lady Gaga que tocava a semana toda debaixo do banco, como se fosse uma droga ilícita. Particularmente, íntimo leitor, creio que deveria ser equiparado a tanto.

Voltemos a ela.

Sentou-se no lugar de sempre, deu sorrisinhos e tchauzinhos espevitados, levantou a mão quando todos levantaram e assentiu com a cabeça sempre que o engravatado em sua frente levantava o tom da voz. No envelopezinho timbrado, colocou seu ingresso mensal para a eternidade.

Quando voltou para o estacionamento, tardou para entrar no carro, era só uma questão de tempo até ser abordada.

Pronto.

Rizinhos histéricos, tapinhas no ombro, reprovação das condutas alheias, a bem ensaiada cara de escandalizada ao saber dos detalhes sórdidos. Muito discernimento, muita sabedoria, muita unção... Ouvira essas palavras a vida inteira e já aprendera a usá-las direitinho em cada frase.

Findo o informe, entrou no carro e voltou para casa. O sorriso sumiu, os olhos caíram e as sobrancelhas se uniram. Numa freada, o cd da Lady Gaga apareceu e foi direto para o player. Sua oficina de teatro semanal terminara e fora muito bem mais uma vez. Podia voltar, orgulhosa, para o backstage de seu dia-a-dia, sem se preocupar com sua performance durante os próximos seis dias.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A forma de Virgínia lidar com a vida



Sabia que aquele momento chegaria. Chegou a apegar-se à ilusão de que não, mas sabia que haveria de chegar.



Ele chegaria e não havia outro jeito, tinham de se encarar. Já que seria obrigada a encará-lo, preferiu não encarar a si mesma e evitou os espelhos. Preferiu a procrastinação do encontro com a vergonha de seu próprio rosto. A vida toda fora assim: procurando adiar o inadiável. Por isso metera-se naquela situação. Se ao menos tivesse dito a verdade, o que realmente sentia... se começasse colocando um ponto final, como tantas vezes fora aconselhada pela canção! Mas agora já era tarde.



Às duas e trinta e oito, a campainha tocou. Como quisera atrasar um pouco mais o que tanto temia, arrastou os passos. Abriu a porta e ele entrou sem dizer palavra. O ressentimento enchia os olhos daquele que amou ardentemente tantas vezes.



- Café?



-Com açúcar mascavo.



E só.



Como por instinto, acabou lidando com a situação da única forma que sabia. Enquanto ele apoiava o pires sobre a bancada da cozinha, deixou que seus seios lhe roçassem levemente o ombro. Preparou o olhar cheio de malícia para lançá-lo nos olhos de sua presa. Bastou aquele gesto para que o corpo tomasse as rédeas e deixasse de lado a razão.



Momentos de confusão entre côncavo e convexo... Celebraram, de forma corrompida, o que deveria ser um dom precioso concedido pelo Criador.



Por fim, Virgínia deitou-se exausta enquanto ele abotoava a camisa e saía pela porta confusa. Mais uma vez, adiara o adeus. Até quando? Não importava, ainda o tinha em suas mãos.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

A peleja de Dorival para entender a Eternidade

-Ah, e outra coisa, aqui não existe tempo.

-Uhn?!

A conversa toda até ali fora surpreendente, mas aquilo já era mais do que um dia imaginara. Nenhuma pergunta ficara sem resposta, tudo aquilo que sempre quisera saber fora esclarecido. Porque as pessoas morrem, porque as pessoas sofrem, porque, afinal de contas, Ele criara as pessoas... Entre muitas outras.

Percebeu em certo momento que não precisava perguntar, era só deixar Ele falar que as respostas vinham. Bem no instante (?) em que ia perguntar quando poderiam se ver de novo, Ele veio com aquela:

-Ah, e outra coisa, aqui não existe tempo.

- Uhn?!

-É, não existe. Não precisamos dele aqui.

Não conseguia esperar a resposta, precisava perguntar:

-Mas, mas... E o pôr-do-sol? – disse lembrando saudoso dos fins de tarde passados em Ilha Grande.

-Você quer ver o pôr-do-sol? – e apareceu uma imensa bola de fogo alaranjada se escondendo por trás do azul infinito.

-Mas não é só isso, é que...

-É, eu sei... Precisei criar o tempo pra vocês porque vocês não conseguem ver as coisas da forma que Eu vejo. Não conseguiam, agora que estão comigo, conseguem. Vocês não saberiam apreciar o pôr-do-sol, o sorriso de uma criança, a beleza de uma amizade, o acúmulo de sabedoria e o prazer de viver ardentes amores, se não fosse pelo tempo.

-Mas e aqui?

-Aqui é a Eternidade. Você já tem noção do que é a Eternidade?

-É um bocado de tempo, né?

E mais horas (?) de conversa se seguiram.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Folha em Branco

Tem horas em que eu daria tudo por uma folha em branco. Não precisava nem estar imaculada, umas manchinhas de café ou uns furinhos de traça dão até um toque de requinte...


Olho pra essa folha, já escrita, quase furada pela borracha que tantas vezes já a apagou, cheia de riscos, rasuras e liquid paper. Como foi que eu deixei ficar assim? Não deixei, aconteceu. Fui escrevendo, escrevendo, sem ter o cuidado de ver o que estava saindo. Acabei me distraindo e quando fui ver já estava assim.

Oxi, que vergonha...


Tomara que ninguém veja... imagina se mamãe vê o que fiz com essa folha!


Amasso, jogo no lixo, mas não adianta, ela continua lá. Me olhando, me desafiando. Sabe que não consigo me livrar dela. Podia rasgar, queimar, acabar com a raça da maldita. Mas é a única que eu tenho, onde mais iria escrever?


Desamasso, aliso com as mãos, passo com ferro. E agora? Surge na mente o desafio de escrever de novo, dessa vez em vermelho-sangue... e não é que a danada tá alvejando? Quem diria... Logo com vermelho-sangue!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A epopéia de Urbana e Omar

No começo até se entenderam bem... Ele estava lá como sempre havia estado, pra se aproximar demorava anos, séculos talvez. Ela chegou também tímida, mostrando a ele que a vida era muito mais do que ficar deitado sobre a cama granulada. Trouxe-lhe um pouco mais de atividade, agitação e até mesmo utilidade.

Ele ficou feliz, recebeu-a bem e sempre lhe dava os mais belos presentes: conchas, estrelas, viajantes... De vez em quando se exibia mostrando a potência de sua voz e a força de seus braços. Perdão pelo lapso, mas tinha esquecido de dizer que apesar de arredio ele era exibido. Mostrava a ela como sabia ser poderoso e arrebatador quando queria. Preparava um espetáculo de espuma, vento e respingos que a deixava embasbacada.

Depois tudo começou a mudar. Ela começou a exigir mais espaço, e como era espaçosa! Tanto que não se contentava mais com o que tinha e passou a tomar conta do espaço dele. Ele, muito tolerante, foi cedendo aos caprichos da amada. Não deixava, nem mesmo uma manhã, de refletir o alaranjado da aurora só para fazê-la sorrir.

Mas ela já não lhe fazia atenção. Dia e noite o insultava, despejava nele toda a sua raiva e descarregava suas amarguras. Tirou dele tudo o que tinha de valor, destruiu-lhe a vida.

Ele, já cinza de tanta tristeza, acabou se cansando. Começou a exigir seu espaço de volta. Aí, então, ela já não teve mais o que fazer. Só podia ficar ali onde estava, passiva, enquanto ele lhe moia os ossos, inundava suas veias de sal e afogava suas defesas.

Aquela que um dia achou-se poderosa, não mais pôde resistir. Submersa nas lágrimas de raiva que ele derramou, calou-se, enfim.

domingo, 15 de agosto de 2010

Inimigo com números



-Alô!

-Oi, chame Djalma por favor, filho!

-Desculpa, mas não tem nenhum Djalma aqui, não.

-Como não tem? Djalma que me deu esse número.

-Sim, senhor... Mas o senhor deve ter ligado errado.

-Então, rapaz... Aí não é um orelhão?

-Não, senhor.

-Não fica no bar na esquina da casa de Djalma?

-Não, senhor... Esse número é de uma linha particular.

-Ah, sim... Então chame Djalma aí, faz favor.

-Já disse que não tem nenhum Djalma aqui. O senhor está me incomodando, estou ocupado, tenho muitas coisas pra fazer!

-Sim filho... Não precisa ficar bravo comigo. Chame Djalma pra mim que lhe deixo em paz.

-Meu senhor, qual o número que o senhor ligou?

-XXXX-XXXX, não é esse número?

-É sim, senhor. Mas...

-Então, rapaz... Chame logo Djalma que to com pressa, não tô de brincadeira, não!

-Mas eu não sei quem é Djalma!

-É um rapaz forte, moreno, que trabalha consertando geladeira... Faz favor de chamar ele pra mim.

-Mas meu senhor, como que eu posso chamar o Djalma se...

-Ih, espere um instante que a campainha tocou. Rapaz, Djalma chegou aqui. Se apoquente não que eu digo que você quer falar com ele.

-Não, senhor, eu...

-Não, não rapaz. Tenho tempo, não... Preciso falar com Djalma. Eu dou seu recado.


Paz, finalmente...


-Alô!

-Rapaz, esqueci de perguntar seu nome. Diga pra mim, por favor, filho, pra eu dar o recado pra Djalma.

-Meu nome é Abelardo, mas...

-Como?

-Abelardo, mas...

-Hein?

-ABELARDO, mas eu...

-Ah não rapaz, tem ninguém aqui com esse nome não. Aqui só tá Djalma...