domingo, 17 de junho de 2012
London Calling
E assim foi Londres. Não porque eu quisesse, mas a própria cidade parecia não ter vontade de ser fortemente registrada através de fotos ou posts no blog. Só queria ser apreciada, vivida. Logo que cheguei no Brasil veio a realidade, trazendo formatura, trabalho e senhor wilson (meu avô) convalescente, uma soma de fatores que me impediu de escrever sobre Londres até hoje.
Sim, Londres é isso tudo. E muito mais. A capital inglesa não cansa de ser bonita, atraente e mágica, mais do que qualquer outro lugar que eu tivesse ido até então.
Em nosso primeiro dia, resolvemos fazer um walking tour oferecido gratuitamente por uma empresa de turismo. Chegando ao ponto de encontro, nos protegemos da chuva com ponchos de plástico e partimos. A espevitada guia nos contava em um esganiçado espanhol sobre diversos pontos interessantes da cidade, passando por castelos, praças, clubes de cavalheiros e claro, os inevitáveis Palácio de Buckingham, Big Ben e Abadia de Westminster.
Com o que nos restava de dia, seguimos a um dos diversos museus que oferecem entrada gratuita. Alias, em Londres, a gente não paga nada para entrar na maioria dos museus. Nosso escolhido foi o Tate Modern, que, como podemos deduzir, exibia diversas obras de arte moderna, desde Dalí (sempre por mim procurado), Miró (trazendo à memória a lembrança materna) até trabalhos da Pop Art e muitos mais. De uma sacada, paramos pra respirar um pouco às margens do Tâmisa, curtindo um visual raro.
Saindo do Tate Modern, passamos para o outro lado do rio através da ponte para pedestres Millenium Brigde, que com seu design moderno remetia às ondas que se agitavam timidamente lá embaixo. Travessia feita, chegamos à Catedral de Saint Paul, surpreendentemente vazia. Tivemos o privilégio de ser recepcionados pelo aconhegante som de um coral que se apresentava, trazendo uma preciosa sensação de paz que constratava com a agitaçao que reinava do lado de fora.
Saí de lá pronto pra uma noite de sono.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Cacau e cevada
-Chocolate e cerveja. - respondo eu pensando no que ate então sabia sobre o pais.
Passamos três noites e dois dias na Bélgica, nosso penúltimo destino aqui pelas Zoropa. Estando devidamente instalados num albergue com uma estrutura bacana, fomos ao supermercado pra descobrir que os preços eram bem salgados. Por indicação de uma funcionaria do hostel, fomos a um pub que mostrava que a fama do pais não era a toa: cerveja por 1euro ate uma da manha. Pronto, a noite tava salva.
No dia seguinte, pegamos um trem ate Bruges, uma cidadezinha medieval dali próxima e que tinha sido recomendada por muitos. O lugar tem diversas construções da Idade das Trevas, sem deixar de procurar trazer outras atracões para os turistas, mas que pode facilmente ser explorado em menos de um dia. Em algumas horas, conhecemos Markt, uma praça que deixaria qualquer cidade mineira com inveja, tanto pela bela igreja que ali se ergue, quanto pela quantidade de transeuntes e charretes que por ela trafegam. Passamos também por sua vizinha mais modesta, Burg.
Seguindo o cheiro que paira pelo lugarejo, chegamos ao Museu do Chocolate, onde, alem de ver a iguaria ser preparada na hora, também temos acesso a diversas informações sobre ela, como sua origem com os maias e os aztecas, sua popularização na Europa, chegando a forma como a consumimos hoje.
Dali, passeamos pelas varias ruelas de Bruges, chegando no Begijnhof, uma espécie de monasterio erguido na Idade Media, servindo de refugio para muitas mulheres sem marido. Ainda preservando seus ares de porto seguro, e uma típica construção medieval, com seu relaxante jardim central, cercado por muros e casinhas onde viviam as religiosas. Ali dentro, claro, esta uma pequena capela. As mulheres que ali viviam, procuravam dedicar-se a religião e encontrar abrigo, tendo feito o devido voto de probreza.
Despedidos pela chuva e carregando deliciosas sacolas recheadas com chocolate belga, voltamos para Bruxelas, onde preparamos um esperado jantar de bife com batata frita, que despertou a inveja dos olfatos alheios. Modéstia a parte, eu cozinho na moral.
Bruxelas também não nos exigiu muito, em pouco tempo visitamos os principais pontos turísticos, como a belíssima Grand Place e o inexplicavelmente famoso Manneken Pis, uma pequena fonte onde um gurizinho da um mijao na piscina. A estatua e simples como a descrição que dei.
Depois de andar um pouco pelas ruas, fomos ate o Atomium, primo renegado da Torre Eiffel. O monumento fica perto de um parque de exposições (uma espécie de Rio Centro) e foi construído para a exposição mundial de 1958. O sucesso foi tanto, que acabaram deixando ele por lá. Não deixa, contudo, de ser interessante, representando uma molécula de ferro aumentada 165 bilhões de vezes. Podemos pegar um elevados ate o "átomo" mais alto e, através das ligações com os outros, explorar o restante através de escadas (rolantes ou não). O ponto mais alto proporciona uma visão privilegiada dos arredores e as demais esferas da representação exibem uma mostra sobre a exposição mundial de 1958. No fundo, e uma Torre Eiffel dos nerds.
A singeleza da cidade permitiu que voltássemos cedo pro albergue a tempo de descansar um pouco e seguir a noite com uma simpática companhia ate um famoso pub da cidade, que oferece diversos tipos de cerveja com diferentes sabores.
No dia seguinte, tomamos o trem para Londres, nosso ultimo destino antes de voltar pro Brasil. Apesar de ter tido o caminho atrapalhado por burocracias rotineiras da imigração, chegamos na terra da rainha com novo fôlego, provavelmente fruto da sensação de reta final.
Sem muitas dificuldades para encontar o albergue, chegamos a tempo de nos instalarmos e sair para um tranquilo passeio margem do Tamisa, vendo de cara o Big Ben, o Parlamanento, a imensa London Eye, finalizando com um capuccino na Starbucks pertinho da Tower of London, famosa pela ponte que fica a sua frente. Só com isso já deu pra Londres deixar uma boa impressão.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
I amsterdam?
Amsterdam oferece um turismo bem diferente de todas as cidades que já visitamos ate agora, preocupando-se mais em entreter do que em informar e transmitir cultura. Talvez essa impressão também culpa nossa que, após passar por Portugal, Espanha, Franca e Itália, já queríamos ver algo diferente. E isso a capital da Holanda oferece.
Apesar dos museus convencionais que existem por aqui, o que chama a atenção mesmo são alguns um tanto incomuns: museu do sexo, museu da maconha, museu da tortura medieval, museu da tatuagem, museu erótico, museu da vodka e por ai vai... Os que conhecemos oferecem um passeio rápido e divertido, no qual a principal preocupação e levar diversão ao visitante. Um interessante e o Nemo, museu da ciência, voltado principalmente pra crianças e adolescentes, mas que desperta a curiosidade dos adultos também, ao permitir que se participe de fenômenos científicos, sempre explicando o motivo de sua ocorrência.
O mundialmente famoso Madame Tussaud também vale a pena conferir. Diversas personalidades tem ali suas replicas feitas de cera, todas reproduzidas com uma perfeição tamanha que nos leva a crer que estamos diante de nossos ídolos. Troquei uma idéia com Mandela e Gandhi e depois dei os parabéns a Salvador Dali por suas obras e, como não sou bobo, dei ate uma idéia na Jennifer Lopez, que nem me respondeu. Junto com o ingresso pro Madame Tussaud da pra comprar um pra Amsterdam Dungeons, uma jornada pela história sangrenta da cidade, feita com atores fantasiados que encenam o lado negro da história da cidade, passando pela Inquisição, navios de trabalho forcado, bruxas queimadas na fogueira e serial killers. Bacaninha.
No lado etílico da coisa, fizemos um tour pela 1a fabrica da Heineken, o Heineken Experience, que mostra todo o processo de produção da cerveja, ensina a degustar a loira e ainda da umas provinhas no final. O passeio inclui um filme em 4D no qual somos transformados em uma cerveja pronta pra ser consumida e acaba, claro, numa lojinha cheia de produtos com a marca da cerveja.
Muito interessante também foi um bar todo feito de gelo. Na frente um bar normal, mas por alguns euros vc entra numa câmara onde tudo eh feito de gelo: o balcão, os bancos, esculturas, ate mesmo os copos. Lá dentro a temperatura e de -10, então o tempo de permanência, de meia hora, já e mais do que suficiente. Ali mais um vídeo em 4D, no qual um vento cortante vem contra o rosto, desafio pra qualquer esquimó.
Ontem estivemos na Casa de Anne Frank, um pequeno museu criado em homenagem a menina judia que nos deixou seu diário contando sobre os dias em que se escondia com a família no prédio em que seu pai trabalhava. O museu, alias, fica neste mesmo prédio em que Anne esteve durante os anos da II Guerra Mundial ate ser capturada pelos nazistas e levada a um campo de concentração. Nos andares inferiores vemos onde funcionava a fabrica de geléia do pai de Anne e, ao subir algumas escadas, nos deparamos com a estante de fichários que escondia o Anexo Secreto. O espaço esta muito bem preservado e algumas maquetes foram montadas para reproduzir o ambiente durante o período em que a família Frank ali se refugiou. Nas paredes do quarto de Anne são mantidas as fotos recortadas das revistas da época, mostrando que ali viveu uma menina como qualquer outra, mas que teve seus sonhos monstruosamente sufocados e, posteriormente, destruídos com sua própria vida.
Como disse no começo, ainda não sei bem o que acho de Amsterdam. Quando cheguei aqui vi um lugar em que há muita liberdade, onde as pessoas são livres para buscar aquilo que lhes da prazer. Sempre achei isso muito interessante, pois acredito que devemos fazer ou deixar de fazer as coisas por nossas próprias convicções, não porque alguém impôs. Acho que cada um deve ser livre pra escolher o que quer fazer da sua vida. Contudo, depois de alguns dias percebi que essa liberdade toda acaba por se tornar libertinagem. Não sei se e a educação crista (um pouco católica, um pouco protestante) falando um pouco mais alto, mas parece que o turismo aqui se desenvolveu em torno disso e um apelo enorme e feito em torno de sexo e drogas. A cidade parece querer trazer isso pra vida do turista a qualquer custo, desde os souvenirs ate as ruas do Red Light District e os Coffee Shops. Já não sei ate que ponto isso tudo e uma liberdade ou uma prisão. Essa vai com certeza ser uma conversa pra render em mesinhas de boteco quando eu voltar pro Brasil.
De uma coisa tenho cada vez mais certeza: "O nosso ir faz o caminho".
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Romaria
Na capital da Itália, nos hospedamos em um lugar diferente de tudo que já tínhamos visto, um pequeno apartamento no centro da cidade no qual seus proprietários gentilmente acolhem viajantes em dois quartos separados. Para quem viaja de cidade em cidade, de cama em cama, um local como este oferece um ambiente caseiro e e acolhedor que trás um delicioso gostinho de lar. Ali nos sentimos a vontade para descansar, conversar com nossos exóticos anfitriões e ate provar um saboroso feijão romeno com torradas.
Nesses dias em Roma, visitamos a Basílica de São Pedro, o museu do Vaticano, o Castelo Sant'angelo. Isso só no primeiro dia. No segundo, visitamos vestígios da antiga civilização romana, como o significativo Coliseu, alem do Fórum Romano e o Palatino. No ultimo, uma sinistra visita as Catacumbas de São Calixto. Tudo sempre acompanhado por andanças pelas ruas, parando para admirar a beleza de monumentos como a Fontana de Trevi e o Panteão.
Contudo, a importância de Roma pra mim esteve nas entrelinhas. Sim, a cultura e a história vão ficar pra sempre na memória, mas tocado mesmo foi o coração. Nesses dias sossegados no apartamento de Dona Valeria muitas emoções me visitaram. Logo no começo, tive que, mais uma vez, me superar para lidar com uma ansiedade arrebatadora como já há alguns dias não sentia. Socorro nessas horas só me vem mesmo do Sangue vertido na Cruz. Dai em diante, tentei deixar de negligenciar Aquele que me criou. Passei a tentar ouvir melhor Sua voz, reduzindo a minha. Passei a perguntar-Lhe o que e preciso fazer pra que se possa viver em paz.
Hoje, por mais irônico que possa parecer, estava no avião a caminho de Amsterdam ouvindo a poesia do senhor Gerson Borges quando me foi possível enxergar que de nada preciso para viver em paz. O que preciso eu já tenho. Meu querido e tatuado Leão de Juda me mostrou que o simples fato de ele estar me ouvindo, estar do meu lado a todo momento, me aceitando apesar dos meus defeitos já e o suficiente para que eu viva em paz. Por que então, pensei em minha limitada condição, eu muitas vezes não me sinto em paz? Mesmo realizando um sonho, vivendo aquilo que sempre desejei, por que por vezes parece que me foge a paz?
Guiado pelas canções de Gerson, Josimar Bianchi e Kirk Franklin, entendi que não há motivo para assim se sentir. Se por vezes deixo de ter aquilo que tanto prezo eh porque muitas vezes não prezo aquilo que tanto tenho. Assim, passo a não prestar atenção no cuidado de Deus e em Seu amor por mim. Dou mais atenção as minhas próprias vontades e, mais do que isso, ao meu próprio sentimento. Sai do avião com o pensamento de tentar não mais superestimar minha dor e subestimar a misericórdia do meu Pai. De não esquecer que, não importa o tamanho dos meus erros, eles somem diante da infinitude do amor de Deus por mim.
Cheguei em Amsterdam em paz.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Sob o Sol da Toscana
No dia 11 estávamos em Florença, ou Firenze, como dizem por aqui, uma das cidades que eu mais queria conhecer, por já ter visto em filmes e fotos da bela região da Toscana. Bem num ritmo italiano, tomamos café da manha numa padaria que mereceu ate biz no dia seguinte e depois fomos para a Galleria dell'Academia. Confesso que depois de tantos museus, a coisa vai ficando cansativa pra quem eh apenas um leigo interessado, razão pela qual me permiti passar os olhos pelas obras medievais e ir com objetividade para uma das esculturas mais famosas do mundo: David, de Michelangelo.
A escultura faz jus a fama que tem, tanto pelo tamanho, quanto pela riqueza de detalhes que possui. Olhando bem, da pra ver cada veia nos braços e nas mãos. Michelangelo retratou o momento posterior a vitoria de Davi sobre o gigante Golias querendo enfatizar a serenidade do futuro rei de Israel derivando de sua confiança e fe em Deus. Reparando no olhar do personagem, que se perde no horizonte, pude sentir aquilo que tanto valorizo e quero buscar pra minha vida: "a paz de estar em par com Deus".
Depois fomos ver a Catedral Duomo, que causa admiração pelo tamanho, ate onde eu sei, a 4a maior igreja do mundo. Dali partimos para ver a Ponte Vecchio, a única dentre as de Firenze que sobreviveu aos bombardeios da II Guerra Mundial. Simples em sua arquitetura, contrasta com as lojas que se estendem ao seu longo, a maioria vendendo valiosas jóias.
Com o caminho pontuado por carros com o capo congelado como uma chapa de freezer, chegamos a Piazzale Michelangelo, onde muitos pássaros escondidos nas copas das arvores davam boas-vindas ao visitante. O parque, uma homenagem ao artista da qual levou o nome, tem uma replica a céu aberto de David e propicia uma vista panorâmica da cidade que enche os olhos de simples casinhas coloridas, suntuosas igrejas e castelos, alem, claro, do Rio Arno que desliga suavemente lá embaixo. Descendo, passamos no Palazzo Vecchio, em torno do qual se estende uma galeria a céu aberto de esculturas.
O dia terminou com um rolezinho jovem pelas ruazinhas de estilo antigo, quase um paradoxo com as lojas baladas que por elas se exibem, algumas recebendo os tipos mais exóticos.
Ontem nos deixamos dormir ate dar quase a hora do check-out no hostel, saindo para pegar o trem pra Pisa. A viagem foi rápida e tranqüila, assim como a cidade de destino. Pisa eh uma das cidades mais tranqüilas que estive ate agora, quase pacata. Passaria despercebida se não fosse pela famosa torre inclinada.
Fomos logo ate a catedral onde esta o único ponto turístico famoso do lugar, onde havia um gramado verdejante aquecido pelo Sol. O campanário, mais conhecido como Torre de Pisa, proporciona uma sensação diferente de tudo para quem sobe seus degraus que, alem de subirem em círculos, pendem ora para um lado, ora pro outro, resultado, claro, da inclinação do chão. Muito doido. A vista lá do alto agrada os olhos e o coração.
Depois de almoçar, passamos o começo de tarde nas ruas de Pisa a caminho da estação de trem, pegando um trem pra Roma no fim do dia, despedidos por um serelepe casal de Hare Krishnas que cantavam alegremente e tocavam tambor e pandeiro em frente a estação.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Aversao a mascaras
Aproveitamos o tempo que ainda restava para conhecer o principal ponto turistico, a Piazza San Marco. Uma visita bem rapida a Basilica di San Marco, que fecharia em meia hora e depois um passeio pelas ruas da cidade cortada por canais e povoada por pontes. Pra falar a verdade, o melhor momento do dia foi um merecido jantar no escondido (assim como tudo e em Veneza) Hard Rock Cafe, com muita carne de porco, costeleta, coxa e sobrecoxa de frango e batata frita. Pra acompanhar, muita Budweiser bem gelada, fechando com um brownie com sorvete. Se Edgar ficou feliz com o vinho e a pistache de Marseille, Jarbas, meu outro alter-ego, um gordinho de 14 anos que quer comer tudo o que ve pela frente, se deleitou em Veneza.
Hoje fomos ate a Galleria dell'Academia, onde se destacam quadros que retratam a cidade e, de volta à Praca San Marco, visitei o Pallazo Ducale, na minha opiniao a melhor coisa de Veneza, depois do Hard Rock Cafe. Na construcao, e possivel conhecer um pouco da historia da cidade, principalmente do tempo em que Veneza era uma republica independente. O predio, por si so, ja chama a atencao e tem detalhes interessantes que podemos conhecer, como as prisoes e uma ponte que passa por cima de um dos canais ligando um lado ao outro do palacio.
Ate agora, Veneza foi um dos lugares que menos me chamou a atencao. E uma cidade interessante pelas peculiaridades que tem, as ruelas estreitas, os canais e o estilo das construcoes. No entanto, basta conhecer a Piazza San Marco e seus arredores que a curiosidade ja fica mais do que sanada. Pode ser que o louco seja eu (e provavelmente sou), mas me senti um tanto claustrofobico em meio as estreitas e confusas passagens, sem falar do festival de mascaras de carnaval que sao expostas em lojas a cada 50 metros. Nao sei se ja compartilhei isso com muitas pessoas, mas nao suporto mascaras, principalmente essas de carnaval.
A esperada saida de Veneza aconteceu hoje numa rapida e tranquila viagem de trem ate Firenze. Aqui chegando, ja nos deparamos com a Catedral Duomo (sim, assim como a de Milano) e um festival de lojas de marcas famosas, mas como ja se fazia tarde, voltamos ao hostel pra descansar e aproveitar o dia de amanha na cidade da Toscana.
domingo, 8 de janeiro de 2012
A Milanesa
Acordamos num horario bacana e fomos para a Catedral Duomo, localizada no centro da cidade. A construçao possui uma belissima fachada no estilo gotico, cheia de floreios e detalhes, como deve ser. Uma das poucas igrejas em que é possivel ir até o alto, permitindo que admiremos de perto o telhado, as torres, além da maravilhosa vista. Do topo do prédio, dava pra ver a agitada Piazza Duomo, os altos edificios à media distancia e montanhas com picos nevados ao longe. Estas, alias, sao um espetaculo à parte. Verdejantes na base, pareciam ter inveja do céu à medida que dele se aproximavam, contentando-se em pegar emprestado o branco das nuvens, para depois misturarem-se ao seu azul.
Dali descendo, rumamos para o Castello Sforzesco, belissima fortaleza, que hoje abriga um espaço multicultural, inculindo em seu acervo moveis, pinturas, esculturas e até mesmo mumias. Destaque era a inacabada Pietà Rondanini, de Michelangelo.
O que me chamou mesmo a atençao ali é que, diferente da maioria dos museus e monumentos em que estivemos anteriormente, no Castelo o povo se mistura com o seu patrimonio historico e cultural. Os jardins sao abertos, acessiveis a qualquer um, desde vendedores ambulantes até surpreendentes praticantes de capoeira (perdoem a ignorancia, mas nunca sei se devo chama-los de lutadores ou jogadores). Fato é que a populaçao italiana tem no local um gramado extenso, em que podem extender-se para passar o gostoso domingo de sol.
A proxima parada foi o Cenacolo Vinciano, prova de que Deus planeja o que eu nao planejei. As visitas devem ser reservadas com antecencia o que, é obvio, nao tinhamos feito. Fomos assim mesmo, tomando o risco, conforme aconselhado pela simpatica recepcionista do hotel. Na bilheteria, fui informado de que duas pessoas tinham acabado de cancelar as reservas para as 16:30. Sendo 15:15, ainda tivemos tempo de parar pra almoçar. Deus é gente fina à vera comigo!
No espaço esta "A ultima ceia", de Leonardo Da Vinci, uma das obras mais enigmaticas que ja vi até agora. Da Vinci devia ser uma esfinge em pessoa, conclui aquele que ja viu de perto o sorriso de Mona Lisa. A representaçao da Santa Ceia retrata o momento em que Jesus revela a seus apostolos que um deles viria a trai-lo. As expressoes, os gestos, os dialogos paralelos fazem com que a gente sinta até o gostinho do pao e do vinho.
Ah sim, no meio de toda a cultura, paradas em muitas lojas de marcas famosas que vendiam tudo com descontos tentadores, exigencia da companheira de aventuras. Nessa época do ano, tudo esta em liquidaçao aqui na Italia.
O dia terminou com um tipico gelatto italiano, de volta à Piazza Duomo, um de pistache e outro de chocolate bem forte. Depois de um jantar regado do Burger King, é hora de ir dormir pra amanha acordar cedo e pegar o trem para Veneza.
sábado, 7 de janeiro de 2012
No meio do caminho tinha uma praia
Visitar uma cidade fora de temporada tem muitas vantagens e a que Nice nos deu foi o descompromisso. Por ser uma cidade de praia, nessa época do ano fica bem tranquila, deixando o viajante à vontade para deixar o tempo passar suavemente.
Nao estava muito frio, cerca de 15 graus. O sol brilhava querendo queimar a pele e nenhum vento. Ainda assim, o povo andava todo encasacado. Caminhavam no calçadao, sentavam em cadeiras e espreguiçadeiras ou até mesmo na areia. Tudo de camisa e calça.
Botei logo minha bermuda, todo garotao, e fiquei deitado preguiçosamente torrando igual um nugget. O sangue carioca veio à tona e nao aguentamos: demos um rapido mergulho na agua fria do Mediterraneo, correndo logo de volta pro Sol. O som de Planet Hemp e Novos Baianos deram o toque final pra matar as saudades do Rio.
Depois de tomar uma agua com gas, fui dar um rolezinho jovem pela Promenade des Anglais, avenida que beira a orla e que inspirou o planejamento de Copacabana, levado pelo soul de Mayer Hawthorne. Como o frio começou a apertar, voltei pro albergue e, depois de uma lasanha de microondas, fomos a um pub irlandes, encontrar minha querida amiga Stellinha Artois.
Hoje, mais uma viagem, de Nice a Milano. Apesar das 7 horas passadas dentro de 3 trens regionais diferentes, o percurso merece ser feito pela ferrovia, de preferencia durante o dia. A rota segue quase sempre pelo litoral, dando uma visao privilegiada do Mar Mediterraneo pontuada por charmosas cidadezinhas italianas, com suas construçoes irregulares. Do outro lado, contrastam cadeias de verdes montanhas, as mais longinquas salpicadas de gelo no topo. De Genova para ca, a paisagem era um pouco mais bucolica, vastos campos dourados pelo por-do-sol, dos quais sombras de galhos secos se levantavam contra o ceu alaranjado.
Ao chegar em Milano, os votos de boas vindas ficaram por conta de um delicioso spaghetti com frutos do mar, que, alem do leve sabor de maresia, trouxeram um gostinho de saudade dos almoços em familia. Calma, dona Nilze, so mais 21 dias.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
"I gotta find peace of mind"
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Ponto alto
domingo, 1 de janeiro de 2012
Voulez-vous...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Prédios que falam

Fora isso, esse recanto da cultura catala nos convida a voltar muitas vezes, principalmente para conhecer o seu verao. Ontem conhecemos um pub numa ruela que me remeteu ao labirinto boêmio da Lapa, no qual provei os famosos mojitos que, na minha sincera opiniao, perdem de longe para a boa e velha cervejinha gelada.
Ao acordarmos, corremos para fazer um tour 0800 oferecido pelo hostel, passando por diversas obras de Gaudí espalhadas pela cidade. É dificil descrever sua beleza. O arquiteto parecia nem sequer saber o significado da palavra limite. Com traços orgânicos e por vezes utilizando material reciclado, os prédios se diferenciam de tudo aquilo que possa ser visto.
As construçoes refletem um pouco da personalidade do artista: imponentes, singulares, arrogantes. Por outro lado, ainda mostravam que tudo tem dois lados, sempre com inspiraçao religiosa, demonstrando a reverência que tanto o criador quanto as criaçoes possuem pelo Leao de Judá e toda a sua história.
A Basílica da Sagrada Família é um capítulo a parte. Sobre o que senti ao observá-la, me resumo a dizer: ...
É preciso percorrer seu entorno e adentrar em seu átrio para compreender. Do lado de fora, há três fachadas, cada uma contando um pedaço da história do Messias. De um lado, o nascimento, incluindo trechos da infância de Jesus. De outro, a paixao do Cristo, com a última ceia, a crucificaçao e Sua ressurreiçao. O último lado, que sequer começou a ser construído, contará a glória da segunda vinda do Salvador, incluindo a Grande Tribulaçao descrita no Apocalipse. Enfim, o evangelho em forma de edifício, que, assim que estiver concluído, poderá anunciá-lo a tantos quantos tiverem olhos para ver.
De volta ao hostel, percebemos que havíamos esquecido de fazer o check-out antes de sair e acabamos sendo despejados: nossos pertences nos aguardavam na recepçao. Pelo menos nao cobraram mais uma diária! Agora fazemos hora para pegar o trem noturno de Barcelona a Paris, onde passaremos o Ano Novo com pessoas queridas, que já nos aguardam com uma ansiedade da qual partilhamos.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Barça
Depois de tomar um café com leite e comer um maça, tive o nascer do Sol mais uma vez embalado por Gerson Borges, dessa vez seguido por Jorge Camargo, que confessou em "Imensidao" (http://www.youtube.com/watch?v=YPOfvJnQXUQ) que partilha do meu desejo de "provar o sal, o sol, o céu, o rio e o riso". Apaguei e só acordei em Barcelona.
Aqui chegando senti que o clima é outro, mais leve. Típico de cidade com praia. Fomos correndo ao estádio do time homônimo, onde por meio de um tour superfaturado (22,00 E) conhecemos o estádio com estrutura de fazer inveja, a sala de troféus, os vestiários, a sala de imprensa e os camarotes. Legal mesmo foi ver os nomes de Roberto Dinamite e Romário entre aqueles que fizeram história no grande clube. Nao pude evitar comprar alguma coisa da mega store que eles mantêm.
Como o tempo aqui é curto, fomos com pressa para o Museu de Picasso, que mostra toda a evoluçao do artista, principalmente todo o seu trabalho em cima da obra "Las meninas", pintura de Diego Velázquez da qual tomou a liberdade de fazer diversas variaçoes. Desse jeito, a gente percebe que, através dos olhos de um gênio, uma mesma cena pode ter mútiplas interpretaçoes e representaçoes e ainda assim manter sua beleza.
Ali perto está a imponente Basílica de Santa María del Mar, construçao de estilo gótico, que se esconde entre as ruelas do bairro cheio de construçoes do gênero.
O alto vitral permitia que a luz do Sol penetrasse tímida e multicolorida no seu átrio sombrio, um contraste que retrata bem a forma multifacetada como Deus projeta sua luz no mais escuro de nossas almas.
O finalzinho de tarde e começo de noite rendeu um passeio a pé por La Barceloneta, onde o mar saudava os praticantes de esportes e dava destaque às contruçoes levantadas na orla.
Com tantos gastos, tanto de energia quanto (principalmente) de dinheiro, nao será dessa vez que vou conhecer a noite de Barcelona, tao comentada. Hora de descansar e planejar o dia de amanha, além da nossa tao aguardada chegada em Paris.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Banho de lama e cultura
Ontem vistei o Centro de Arte de Reína Sofía, onde pude apreciar, dentre outros, quadros de Miró, Picasso, Kandinsky, Monet, e, meu favorito, Salvador Dalí. Incrível ver quadros tao famosos de perto, apreciar cada traço e o contraste das cores. A grande atraçao era "Guernica", de Picasso, que retrata o ataque alemao à cidade de mesmo nome, durante a Guerra Civil Espanhola. O tamanho da obra parece querer fazer jus à grandiosidade do evento que a inspirou. Emocinante.
Depois, passamos o fim de tarde e início de noite no Parque del Buen Retiro, com um ambiente familiar e propício a uma vida saudável. O parque contém o belo Palácio de Cristal e uma estátua chamada "El ángel caído", a primeira dedicada a Lúcifer. Vale a pena conferir.
À noite foi hora de conhecermos um pouco da noite de Madrid, através de um pequeno tour por três boates, a última com direito a salsa e tudo. A galera aqui sabe mesmo se divertir na noite.
Hoje acabamos acordando tarde e, pela primeira vez, eu e Isa tomamos rumos diferentes. Continuei minha turnê pelos Museus, conhecendo o Museo del Prado e o Museo Thyssen- Bornemisza. Apesar de cansativo, foi muito bom ficar cercado de arte o dia todo, principalmente no Museo del Prado, em que havia muitas pinturas que retratam passagens bíblicas, um verdadeiro evangelho através de quadros.
Assisti o por do Sol em Frente ao Palacio Real, no qual nao pude entrar por já ter terminado o horário de visita. Mas a praça em frente proporcionou uma bela visao do Sol adormecendo preguiçoso sobre Madrid, com direito a um violinista de rua tocando o tema de "Perfume de Mulher". Belo jeito de terminar o dia, já que a edificaçao por si só é espetáculo à parte. No caminho para lá, passei pela Plaza Mayor, lotada de barraquinhas, crianças, artistas de rua e muita festa.
Passei rápido no hostel onde encontrei minha fiel companheira de aventuras e decidimos terminar nossa estadia em Madrid explorando a música e a dança local. Em um restaurante aqui perto, que convidava todos a entrarem com seus azulejos ornamentados, assistimos a um belo show de flamenco acompanhados por uma cerveja de cortesia. Muito mais gostosa assim.
Madrid foi desgastante, apesar de ter proporcionado um banho de cultura. A cidade é muito agitada, tanto de dia quanto à noite, boa pra quem está atrás de um lugar que combine festa e erudiçao. Nosso receio agora é de nao conseguirmos acordar a tempo de pegar o trem às 7:30 da manha para Barcelona.
domingo, 25 de dezembro de 2011
"Um rosto querido me olha eu choro, eu perco o chão" *
Hoje Gerson Borges me embalou no comboio a caminho de Cascais, cidadezinha praiana, que despertou minha atenção desde o começo. Como saímos antes mesmo de amanhecer, tive uma visão privilegiada do Sol saindo de dentro do Tejo, o que por si só já valeu pelo dia inteiro. Como se já soubesse da nostalgia da noite anterior, Gerson cantou "Janelas", enquanto eu apreciava a obra de Deus através da minha.
Em Cascais o céu se tingiu de um forte azul, se recusando a utilizar o branco de sua aquarela. Caminhamos até um farol, apreciando sempre a vista do mar. Depois de comer uns sanduíches com uma Fanta laranja bem pálida, me arrastei um pouco mais pela orla agradecendo a Deus por tudo o que se passou até aqui e me achegando a Ele pra que daqui pra frente esteja ainda mais do meu lado.
A volta foi abreviada pela necessidade de deixarmos tudo pronto para pegar o trem às 22:30 para Madrid, viagem de 12 horas. No hostel, aproveitei para planejar esses próximos dois dias na terra do flamenco e pesquisar algumas opções para Barcelona, principalmente uma visita ao tão famoso clube que leva seu nome.
*Trecho retirado da canção "Janelas", de Gerson Borges.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Greve dos comboios
Assim sendo, saímos cedo pra conhecer a charmosa cidade de Sintra. Aqui o pessoal leva o Natal a sério: às 3 da tarde tudo fecharia, então tínhamos que ser rápidos. A bordo do comboio para Sintra, uma conversa divertida com pessoas bacanas que conhecemos no hostel, alternadas com apreciação da paisagem ao som de Maria Rita.
Chegando lá, de longe já era possível ver os imponentes Palácio de Pena e Castelo dos Mouros se debruçando sobre as montanhas, deixando claro que ali o território era deles. Partimos para o primeiro, onde muitos reis de Portugal viveram. Festival de corredores, torres, salões com paredes desenhadas e tetos minuciosamente trabalhados. Cada móvel, cada louça e vitral eram de beleza ímpar, levando-nos de volta a uma era de muita ambição e vaidade. Características que parecem estar atreladas à humanidade, revelando-se em cada época de uma forma singular.
Partimos para o Castelo dos Mouros, fortaleza construída no século IX (Babi, me perdoe se estiver errado), durante a época de dominação muçulmana. Com um estilo totalmente diferente, os labirintos de rochas traziam uma atmosfera de vigilância, principalmente pela vista de toda a cidade de Lisboa que proporciona.
Como se estivesse me desejando Feliz Natal, Sintra preparou uma pracinha perto da estação dos comboios só pra que eu pudesse passar meu fim de tarde deitado num banco assistindo o Sol se por atrás das colinas com Little Joy soando aos ouvidos.
Neste refúgio, as árvores com poucas folhas castanhas fizeram questão de me despedir ensinando que precisamos deixar que o tempo leve aquilo que já está desgastado, impedindo nosso prosseguir, para que outras venham, novas, frescas, verdes. Necessidade de celebrar a vida.
Assim, peguei o comboio de volta a Lisboa guiado por Chico Buarque, trazendo lições, memórias e um puta sono.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Um grande navegador
Fomos até o Monumento do Descobrimento, construído próximo ao porto de Belém para celebrar os descobrimentos feitos pelos portugueses. Lembranças de uma época que nossos colonizadores guardam com carinho, em que Portugal teve hegemonia dos mares e do comércio de especiarias por mais de um século.
Depois visitamos a bem trabalhada Torre de Belém, levantada principalmente para proteger o porto. Dali, a visão da infinitude do Tejo era renovadora.
Pagando 10 euros, também tivemos acesso ao Monastério de São Jerônimo. O lugar serviu de abrigo para monges e freiras, parecendo ter cumprido bem o seu propósito. Na região central havia um jardim com um chafariz onde facilmente eu passaria uma tarde inteira ao sol lendo um livro, ouvindo música boa ou mesmo em momentos de reflexão. Provavelmente os monges e freiras faziam diferente, mas com certeza também meditaram muito por ali. Os corredores inspiram silêncio e fazem acalmar a alma.
O Monastério e a imponente capela adjacente abrigam túmulos de notáveis personalidades portuguesas, entre os quais se destacam Fernando Pessoa, Camões e, claro, o mais ilustre navegador de todos os tempos, que dá nome ao Gigante da Colina: Vasco da Gama. Não teve jeito, foram muitas fotos tiradas.
O fim de tarde foi brindado com os melhores pasteizinhos de Belém e um café bem quente pra espantar o frio de um dia marcado pela neblina.
Hoje fui presenteado duas vezes: realizei o grande sonho de conhecer um oceanário e encontrei um casal de amigos muito queridos. Encontramos Léo e Letícia no metrô e seguimos juntos para o Oceanário de Lisboa. O abrigo de milhares de espécies marinhas fica na parte mais moderna da cidade, cercado de muita beleza natural e arquitetônica. Lá dentro, tubarões, raias, pinguins e tartarugas marinhas, lembrando de um velho sonho de estudar biologia marinha.
Com companhias tão agradáveis, o dia só poderia ter sido como foi: muito agradável, com direito a risadas à vontade e procura pelo lugar mais barato para almoçar.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Próximo ao métro
Apesar de não sabermos direito onde ficava o albergue (fruto do meu longo planejamento), não tivemos dificuldade em achá-lo, graças a um eficaz sistema de transporte e a solicitude dos patrícios. Logo ao lado da estação do metrô fica nosso abrigo para os próximos dias.
Brinadando o começo de nossa aventura, o Sol nos veio receber com entuasiasmo, preocupado em fazer brilharem as águas do Tejo e caprichando na hora de revelar as variadas cores das casinhas de fachada antiga. Sem inibição alguma, secou roupas penduradas do lado de fora das janelas, trazendo um clima de cidade do interior.
Quatro diferentes igrejas, cada uma exibindo um encanto particular se colocaram na nossa frente. Uma pequena e acolhedora, outra suntuosa e exigente com o bolso. Uma reluzente e alva, outra com cores de tijolos medievais.
Nesta, encontramos o tesouro da Sé de Lisboa. A grandiosidade da edificação remetia à pequenez do ser humano diante de Deus. Talvez templos tão imensos sejam obras dispendiosas e desnecessárias, já que Deus veio ao mundo encarnado em simplicidade, mas não posso negar que nos intima à reverência.
Nas diversas peças de ouro minuciosamente trabalhado e outras de linho caprichosamente tecido, pude recolher-me para entender a precisão e cuidado que Deus tem para tecer as linhas de nossa vida e moldar nosso ser.
No Castelo de São Jorge tivemos o privilégio de parar um pouco e aproveitar o cochilo caprichado debaixo da sombra de uma árvore, enquanto Lisboa se exibia lá embaixo, toda prosa. o interior do castelo, uma peça em particular, um jogo de espelho e imagens que jamais entenderei, é, sem dúvida, a vedete protegida pelas altas muralhas. Ali, é projetada com perfeição uma imagem de 360 graus dos arredores do castelo.
À noite, Lisboa nos brindou com a tranquilidade digna de uma quarta feira à noite. Ótima oportunidade para dormir cedo e se preparar para Belém amanhã.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Pré-fácil
Jantei assistindo L.A. Ink e vi que já está tarde. O dia amanhã vai ser agitado, preciso dormir. Mas como? Como dormir assim em meio a mochila, botas, passaporte, passe de trem, passagem, Travel Money?
Ansiedade é normal. E confesso que, a esta altura, é a melhor sensação que eu poderia ter. Já foi um misto de medo, tristeza, alegria, cagaço, desânimo... Minha velha companheira agora é o que menos atrapalha.
Chegou a hora de ir viver um sonho, por mais clichê que possa soar. Um sonho que, como todo sonho interessante, tem várias reviravoltas e se transforma num piscar de olhos. Daqueles que você tá escovando os dentes e de repente se vê no meio de um filme do Tarantino.
Decidi fazer um mochilão pela Europa no começo desse ano. Era pra ser um intercâmbio, mas desde que deixei de ser um pobre estagiário para ser um reles funcionário público ficou inviável passar mais de um mês lá fora. Foi aí que decidi que viajaria, simplesmente. Muitos ouviram minha ideia, quase todos se empolgaram, alguns levaram a sério e ninguém quis ir até o fim.
Resolvi, então, que iria sozinho. Há muito tempo vinha prometendo a mim mesmo um tempo longe de tudo e todos e essa parecia ser a oportunidade perfeita. Estava em débito comigo e decidi quitar a dívida.
Comecei a planejar algumas coisas e Deus me fez uma grande surpresa: arranjou a melhor companheira de viagem que eu poderia ter. E ela estava disposta a entrar na minha onda, esquecer um pouco do que se passa entre a Moreira César e a Gavião Peixoto para explorar novos horizontes.
Amanhã embarcamos para aquela que promete ser a viagem da minha vida so far... Não é simplesmente conhecer lugares novos, meu grande desafio nesses próximos 40 dias é conhecer a mim mesmo. Desatrelado do cotidiano, das influências do que me rodeia. Absorto em mim mesmo. E em Deus, acima de tudo.
O ser humano é assim mesmo, precisa conhecer coisas novas para dar valor às velhas. Entender o complexo para apreciar o singelo. Viver o diferente para aprender a lidar com o corriqueiro.
E assim começo minha breve jornada. Com fé, vontade e gratidão.
“O nosso ir faz o caminho”...
