domingo, 17 de junho de 2012

London Calling

"Tem coisas que são para ficar só na retina" - ensinou-me uma de duas simpáticas senhoras que tivemos o privilégio de conhecer logo no começo de nossa viagem, aguardando o trem de Lisboa para Madrid.


E assim foi Londres. Não porque eu quisesse, mas a própria cidade parecia não ter vontade de ser fortemente registrada através de fotos ou posts no blog. Só queria ser apreciada, vivida. Logo que cheguei no Brasil veio a realidade, trazendo formatura, trabalho e senhor wilson (meu avô) convalescente, uma soma de fatores que me impediu de escrever sobre Londres até hoje.


Sim, Londres é isso tudo. E muito mais. A capital inglesa não cansa de ser bonita, atraente e mágica, mais do que qualquer outro lugar que eu tivesse ido até então.


Em nosso primeiro dia, resolvemos fazer um walking tour oferecido gratuitamente por uma empresa de turismo. Chegando ao ponto de encontro, nos protegemos da chuva com ponchos de plástico e partimos. A espevitada guia nos contava em um esganiçado espanhol sobre diversos pontos interessantes da cidade, passando por castelos, praças, clubes de cavalheiros e claro, os inevitáveis Palácio de Buckingham, Big Ben e Abadia de Westminster.


Com o que nos restava de dia, seguimos a um dos diversos museus que oferecem entrada gratuita. Alias, em Londres, a gente não paga nada para entrar na maioria dos museus. Nosso escolhido foi o Tate Modern, que, como podemos deduzir, exibia diversas obras de arte moderna, desde Dalí (sempre por mim procurado), Miró (trazendo à memória a lembrança materna) até trabalhos da Pop Art e muitos mais. De uma sacada, paramos pra respirar um pouco às margens do Tâmisa, curtindo um visual raro.


Saindo do Tate Modern, passamos para o outro lado do rio através da ponte para pedestres Millenium Brigde, que com seu design moderno remetia às ondas que se agitavam timidamente lá embaixo. Travessia feita, chegamos à Catedral de Saint Paul, surpreendentemente vazia. Tivemos o privilégio de ser recepcionados pelo aconhegante som de um coral que se apresentava, trazendo uma preciosa sensação de paz que constratava com a agitaçao que reinava do lado de fora.


Saí de lá pronto pra uma noite de sono.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cacau e cevada

-O que que tem na Bélgica? - Isa me pergunta no trem que tomamos em Amsterdam.

-Chocolate e cerveja. - respondo eu pensando no que ate então sabia sobre o pais.

Passamos três noites e dois dias na Bélgica, nosso penúltimo destino aqui pelas Zoropa. Estando devidamente instalados num albergue com uma estrutura bacana, fomos ao supermercado pra descobrir que os preços eram bem salgados. Por indicação de uma funcionaria do hostel, fomos a um pub que mostrava que a fama do pais não era a toa: cerveja por 1euro ate uma da manha. Pronto, a noite tava salva.

No dia seguinte, pegamos um trem ate Bruges, uma cidadezinha medieval dali próxima e que tinha sido recomendada por muitos. O lugar tem diversas construções da Idade das Trevas, sem deixar de procurar trazer outras atracões para os turistas, mas que pode facilmente ser explorado em menos de um dia. Em algumas horas, conhecemos Markt, uma praça que deixaria qualquer cidade mineira com inveja, tanto pela bela igreja que ali se ergue, quanto pela quantidade de transeuntes e charretes que por ela trafegam. Passamos também por sua vizinha mais modesta, Burg.

Seguindo o cheiro que paira pelo lugarejo, chegamos ao Museu do Chocolate, onde, alem de ver a iguaria ser preparada na hora, também temos acesso a diversas informações sobre ela, como sua origem com os maias e os aztecas, sua popularização na Europa, chegando a forma como a consumimos hoje.

Dali, passeamos pelas varias ruelas de Bruges, chegando no Begijnhof, uma espécie de monasterio erguido na Idade Media, servindo de refugio para muitas mulheres sem marido. Ainda preservando seus ares de porto seguro, e uma típica construção medieval, com seu relaxante jardim central, cercado por muros e casinhas onde viviam as religiosas. Ali dentro, claro, esta uma pequena capela. As mulheres que ali viviam, procuravam dedicar-se a religião e encontrar abrigo, tendo feito o devido voto de probreza.

Despedidos pela chuva e carregando deliciosas sacolas recheadas com chocolate belga, voltamos para Bruxelas, onde preparamos um esperado jantar de bife com batata frita, que despertou a inveja dos olfatos alheios. Modéstia a parte, eu cozinho na moral.

Bruxelas também não nos exigiu muito, em pouco tempo visitamos os principais pontos turísticos, como a belíssima Grand Place e o inexplicavelmente famoso Manneken Pis, uma pequena fonte onde um gurizinho da um mijao na piscina. A estatua e simples como a descrição que dei.

Depois de andar um pouco pelas ruas, fomos ate o Atomium, primo renegado da Torre Eiffel. O monumento fica perto de um parque de exposições (uma espécie de Rio Centro) e foi construído para a exposição mundial de 1958. O sucesso foi tanto, que acabaram deixando ele por lá. Não deixa, contudo, de ser interessante, representando uma molécula de ferro aumentada 165 bilhões de vezes. Podemos pegar um elevados ate o "átomo" mais alto e, através das ligações com os outros, explorar o restante através de escadas (rolantes ou não). O ponto mais alto proporciona uma visão privilegiada dos arredores e as demais esferas da representação exibem uma mostra sobre a exposição mundial de 1958. No fundo, e uma Torre Eiffel dos nerds.

A singeleza da cidade permitiu que voltássemos cedo pro albergue a tempo de descansar um pouco e seguir a noite com uma simpática companhia ate um famoso pub da cidade, que oferece diversos tipos de cerveja com diferentes sabores.

No dia seguinte, tomamos o trem para Londres, nosso ultimo destino antes de voltar pro Brasil. Apesar de ter tido o caminho atrapalhado por burocracias rotineiras da imigração, chegamos na terra da rainha com novo fôlego, provavelmente fruto da sensação de reta final.

Sem muitas dificuldades para encontar o albergue, chegamos a tempo de nos instalarmos e sair para um tranquilo passeio margem do Tamisa, vendo de cara o Big Ben, o Parlamanento, a imensa London Eye, finalizando com um capuccino na Starbucks pertinho da Tower of London, famosa pela ponte que fica a sua frente. Só com isso já deu pra Londres deixar uma boa impressão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

I amsterdam?

Demorei um pouco pra saber o que pensar sobre Amsterdam. Confesso que ainda hoje, minha ultima noite na cidade, continuo me sentindo um tanto reticente.

Amsterdam oferece um turismo bem diferente de todas as cidades que já visitamos ate agora, preocupando-se mais em entreter do que em informar e transmitir cultura. Talvez essa impressão também culpa nossa que, após passar por Portugal, Espanha, Franca e Itália, já queríamos ver algo diferente. E isso a capital da Holanda oferece.

Apesar dos museus convencionais que existem por aqui, o que chama a atenção mesmo são alguns um tanto incomuns: museu do sexo, museu da maconha, museu da tortura medieval, museu da tatuagem, museu erótico, museu da vodka e por ai vai... Os que conhecemos oferecem um passeio rápido e divertido, no qual a principal preocupação e levar diversão ao visitante. Um interessante e o Nemo, museu da ciência, voltado principalmente pra crianças e adolescentes, mas que desperta a curiosidade dos adultos também, ao permitir que se participe de fenômenos científicos, sempre explicando o motivo de sua ocorrência.

O mundialmente famoso Madame Tussaud também vale a pena conferir. Diversas personalidades tem ali suas replicas feitas de cera, todas reproduzidas com uma perfeição tamanha que nos leva a crer que estamos diante de nossos ídolos. Troquei uma idéia com Mandela e Gandhi e depois dei os parabéns a Salvador Dali por suas obras e, como não sou bobo, dei ate uma idéia na Jennifer Lopez, que nem me respondeu. Junto com o ingresso pro Madame Tussaud da pra comprar um pra Amsterdam Dungeons, uma jornada pela história sangrenta da cidade, feita com atores fantasiados que encenam o lado negro da história da cidade, passando pela Inquisição, navios de trabalho forcado, bruxas queimadas na fogueira e serial killers. Bacaninha.

No lado etílico da coisa, fizemos um tour pela 1a fabrica da Heineken, o Heineken Experience, que mostra todo o processo de produção da cerveja, ensina a degustar a loira e ainda da umas provinhas no final. O passeio inclui um filme em 4D no qual somos transformados em uma cerveja pronta pra ser consumida e acaba, claro, numa lojinha cheia de produtos com a marca da cerveja.

Muito interessante também foi um bar todo feito de gelo. Na frente um bar normal, mas por alguns euros vc entra numa câmara onde tudo eh feito de gelo: o balcão, os bancos, esculturas, ate mesmo os copos. Lá dentro a temperatura e de -10, então o tempo de permanência, de meia hora, já e mais do que suficiente. Ali mais um vídeo em 4D, no qual um vento cortante vem contra o rosto, desafio pra qualquer esquimó.

Ontem estivemos na Casa de Anne Frank, um pequeno museu criado em homenagem a menina judia que nos deixou seu diário contando sobre os dias em que se escondia com a família no prédio em que seu pai trabalhava. O museu, alias, fica neste mesmo prédio em que Anne esteve durante os anos da II Guerra Mundial ate ser capturada pelos nazistas e levada a um campo de concentração. Nos andares inferiores vemos onde funcionava a fabrica de geléia do pai de Anne e, ao subir algumas escadas, nos deparamos com a estante de fichários que escondia o Anexo Secreto. O espaço esta muito bem preservado e algumas maquetes foram montadas para reproduzir o ambiente durante o período em que a família Frank ali se refugiou. Nas paredes do quarto de Anne são mantidas as fotos recortadas das revistas da época, mostrando que ali viveu uma menina como qualquer outra, mas que teve seus sonhos monstruosamente sufocados e, posteriormente, destruídos com sua própria vida.

Como disse no começo, ainda não sei bem o que acho de Amsterdam. Quando cheguei aqui vi um lugar em que há muita liberdade, onde as pessoas são livres para buscar aquilo que lhes da prazer. Sempre achei isso muito interessante, pois acredito que devemos fazer ou deixar de fazer as coisas por nossas próprias convicções, não porque alguém impôs. Acho que cada um deve ser livre pra escolher o que quer fazer da sua vida. Contudo, depois de alguns dias percebi que essa liberdade toda acaba por se tornar libertinagem. Não sei se e a educação crista (um pouco católica, um pouco protestante) falando um pouco mais alto, mas parece que o turismo aqui se desenvolveu em torno disso e um apelo enorme e feito em torno de sexo e drogas. A cidade parece querer trazer isso pra vida do turista a qualquer custo, desde os souvenirs ate as ruas do Red Light District e os Coffee Shops. Já não sei ate que ponto isso tudo e uma liberdade ou uma prisão. Essa vai com certeza ser uma conversa pra render em mesinhas de boteco quando eu voltar pro Brasil.

De uma coisa tenho cada vez mais certeza: "O nosso ir faz o caminho".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Romaria

Sinto a necessidade de ser verdadeiro, o máximo que posso. Por isso, vou me permitir cometer o sacrilégio de escrever superficialmente sobre Roma, já que tenho prestado mais atenção ao meu interior do que ao que se projeta a minha volta. Me desculpem os interessados em informações sobre viagens, mas minha intenção ao escrever aqui e retratar com a máxima fidelidade uma viagem bem mais longa e profunda do que essa que estou fazendo pelo velho mundo.

Na capital da Itália, nos hospedamos em um lugar diferente de tudo que já tínhamos visto, um pequeno apartamento no centro da cidade no qual seus proprietários gentilmente acolhem viajantes em dois quartos separados. Para quem viaja de cidade em cidade, de cama em cama, um local como este oferece um ambiente caseiro e e acolhedor que trás um delicioso gostinho de lar. Ali nos sentimos a vontade para descansar, conversar com nossos exóticos anfitriões e ate provar um saboroso feijão romeno com torradas.

Nesses dias em Roma, visitamos a Basílica de São Pedro, o museu do Vaticano, o Castelo Sant'angelo. Isso só no primeiro dia. No segundo, visitamos vestígios da antiga civilização romana, como o significativo Coliseu, alem do Fórum Romano e o Palatino. No ultimo, uma sinistra visita as Catacumbas de São Calixto. Tudo sempre acompanhado por andanças pelas ruas, parando para admirar a beleza de monumentos como a Fontana de Trevi e o Panteão.

Contudo, a importância de Roma pra mim esteve nas entrelinhas. Sim, a cultura e a história vão ficar pra sempre na memória, mas tocado mesmo foi o coração. Nesses dias sossegados no apartamento de Dona Valeria muitas emoções me visitaram. Logo no começo, tive que, mais uma vez, me superar para lidar com uma ansiedade arrebatadora como já há alguns dias não sentia. Socorro nessas horas só me vem mesmo do Sangue vertido na Cruz. Dai em diante, tentei deixar de negligenciar Aquele que me criou. Passei a tentar ouvir melhor Sua voz, reduzindo a minha. Passei a perguntar-Lhe o que e preciso fazer pra que se possa viver em paz.

Hoje, por mais irônico que possa parecer, estava no avião a caminho de Amsterdam ouvindo a poesia do senhor Gerson Borges quando me foi possível enxergar que de nada preciso para viver em paz. O que preciso eu já tenho. Meu querido e tatuado Leão de Juda me mostrou que o simples fato de ele estar me ouvindo, estar do meu lado a todo momento, me aceitando apesar dos meus defeitos já e o suficiente para que eu viva em paz. Por que então, pensei em minha limitada condição, eu muitas vezes não me sinto em paz? Mesmo realizando um sonho, vivendo aquilo que sempre desejei, por que por vezes parece que me foge a paz?

Guiado pelas canções de Gerson, Josimar Bianchi e Kirk Franklin, entendi que não há motivo para assim se sentir. Se por vezes deixo de ter aquilo que tanto prezo eh porque muitas vezes não prezo aquilo que tanto tenho. Assim, passo a não prestar atenção no cuidado de Deus e em Seu amor por mim. Dou mais atenção as minhas próprias vontades e, mais do que isso, ao meu próprio sentimento. Sai do avião com o pensamento de tentar não mais superestimar minha dor e subestimar a misericórdia do meu Pai. De não esquecer que, não importa o tamanho dos meus erros, eles somem diante da infinitude do amor de Deus por mim.

Cheguei em Amsterdam em paz.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sob o Sol da Toscana

Depois de ser surpreendido por Portugal, chegou a vez da Itália cair nas minhas graças. Chegando ao meio da viagem, o desgaste vai batendo e acabei descobrindo que a saudade, definitivamente, não eh pros fracos. Não sei se as conversas via skype a aliviam ou fazem apertar ainda mais. Por tudo isso, chegar aqui por essas bandas deu um novo fôlego e um novo animo, de perceber que vale a pena segurar a onda e se deixar levar pela terra das pizzas e das Vespas.

No dia 11 estávamos em Florença, ou Firenze, como dizem por aqui, uma das cidades que eu mais queria conhecer, por já ter visto em filmes e fotos da bela região da Toscana. Bem num ritmo italiano, tomamos café da manha numa padaria que mereceu ate biz no dia seguinte e depois fomos para a Galleria dell'Academia. Confesso que depois de tantos museus, a coisa vai ficando cansativa pra quem eh apenas um leigo interessado, razão pela qual me permiti passar os olhos pelas obras medievais e ir com objetividade para uma das esculturas mais famosas do mundo: David, de Michelangelo.

A escultura faz jus a fama que tem, tanto pelo tamanho, quanto pela riqueza de detalhes que possui. Olhando bem, da pra ver cada veia nos braços e nas mãos. Michelangelo retratou o momento posterior a vitoria de Davi sobre o gigante Golias querendo enfatizar a serenidade do futuro rei de Israel derivando de sua confiança e fe em Deus. Reparando no olhar do personagem, que se perde no horizonte, pude sentir aquilo que tanto valorizo e quero buscar pra minha vida: "a paz de estar em par com Deus".

Depois fomos ver a Catedral Duomo, que causa admiração pelo tamanho, ate onde eu sei, a 4a maior igreja do mundo. Dali partimos para ver a Ponte Vecchio, a única dentre as de Firenze que sobreviveu aos bombardeios da II Guerra Mundial. Simples em sua arquitetura, contrasta com as lojas que se estendem ao seu longo, a maioria vendendo valiosas jóias.

Com o caminho pontuado por carros com o capo congelado como uma chapa de freezer, chegamos a Piazzale Michelangelo, onde muitos pássaros escondidos nas copas das arvores davam boas-vindas ao visitante. O parque, uma homenagem ao artista da qual levou o nome, tem uma replica a céu aberto de David e propicia uma vista panorâmica da cidade que enche os olhos de simples casinhas coloridas, suntuosas igrejas e castelos, alem, claro, do Rio Arno que desliga suavemente lá embaixo. Descendo, passamos no Palazzo Vecchio, em torno do qual se estende uma galeria a céu aberto de esculturas.

O dia terminou com um rolezinho jovem pelas ruazinhas de estilo antigo, quase um paradoxo com as lojas baladas que por elas se exibem, algumas recebendo os tipos mais exóticos.

Ontem nos deixamos dormir ate dar quase a hora do check-out no hostel, saindo para pegar o trem pra Pisa. A viagem foi rápida e tranqüila, assim como a cidade de destino. Pisa eh uma das cidades mais tranqüilas que estive ate agora, quase pacata. Passaria despercebida se não fosse pela famosa torre inclinada.

Fomos logo ate a catedral onde esta o único ponto turístico famoso do lugar, onde havia um gramado verdejante aquecido pelo Sol. O campanário, mais conhecido como Torre de Pisa, proporciona uma sensação diferente de tudo para quem sobe seus degraus que, alem de subirem em círculos, pendem ora para um lado, ora pro outro, resultado, claro, da inclinação do chão. Muito doido. A vista lá do alto agrada os olhos e o coração.

Depois de almoçar, passamos o começo de tarde nas ruas de Pisa a caminho da estação de trem, pegando um trem pra Roma no fim do dia, despedidos por um serelepe casal de Hare Krishnas que cantavam alegremente e tocavam tambor e pandeiro em frente a estação.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Aversao a mascaras

Chegar em Veneza demorou um pouco mais do que esperavamos. O trem que pegariamos foi cancelado e o proximo so dali a duas horas. No fim das contas chegamos na cidade ja pelo fim da tarde.

Aproveitamos o tempo que ainda restava para conhecer o principal ponto turistico, a Piazza San Marco. Uma visita bem rapida a Basilica di San Marco, que fecharia em meia hora e depois um passeio pelas ruas da cidade cortada por canais e povoada por pontes. Pra falar a verdade, o melhor momento do dia foi um merecido jantar no escondido (assim como tudo e em Veneza) Hard Rock Cafe, com muita carne de porco, costeleta, coxa e sobrecoxa de frango e batata frita. Pra acompanhar, muita Budweiser bem gelada, fechando com um brownie com sorvete. Se Edgar ficou feliz com o vinho e a pistache de Marseille, Jarbas, meu outro alter-ego, um gordinho de 14 anos que quer comer tudo o que ve pela frente, se deleitou em Veneza.

Hoje fomos ate a Galleria dell'Academia, onde se destacam quadros que retratam a cidade e, de volta à Praca San Marco, visitei o Pallazo Ducale, na minha opiniao a melhor coisa de Veneza, depois do Hard Rock Cafe. Na construcao, e possivel conhecer um pouco da historia da cidade, principalmente do tempo em que Veneza era uma republica independente. O predio, por si so, ja chama a atencao e tem detalhes interessantes que podemos conhecer, como as prisoes e uma ponte que passa por cima de um dos canais ligando um lado ao outro do palacio.

Ate agora, Veneza foi um dos lugares que menos me chamou a atencao. E uma cidade interessante pelas peculiaridades que tem, as ruelas estreitas, os canais e o estilo das construcoes. No entanto, basta conhecer a Piazza San Marco e seus arredores que a curiosidade ja fica mais do que sanada. Pode ser que o louco seja eu (e provavelmente sou), mas me senti um tanto claustrofobico em meio as estreitas e confusas passagens, sem falar do festival de mascaras de carnaval que sao expostas em lojas a cada 50 metros. Nao sei se ja compartilhei isso com muitas pessoas, mas nao suporto mascaras, principalmente essas de carnaval.

A esperada saida de Veneza aconteceu hoje numa rapida e tranquila viagem de trem ate Firenze. Aqui chegando, ja nos deparamos com a Catedral Duomo (sim, assim como a de Milano) e um festival de lojas de marcas famosas, mas como ja se fazia tarde, voltamos ao hostel pra descansar e aproveitar o dia de amanha na cidade da Toscana.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Milanesa

Desvendar um pouco de Milao foi puro divertimento. Os italianos sao divertidos, basta olhar em seus rostos cheios de expressao. Pra quem esta viajando nesse ritmo frenetico, a cidade permite conhecer seus principais pontos turisticos em um dia, ainda com um tempinho pra dar uma olhada nas lojas e comer uma deliciosa pasta.

Acordamos num horario bacana e fomos para a Catedral Duomo, localizada no centro da cidade. A construçao possui uma belissima fachada no estilo gotico, cheia de floreios e detalhes, como deve ser. Uma das poucas igrejas em que é possivel ir até o alto, permitindo que admiremos de perto o telhado, as torres, além da maravilhosa vista. Do topo do prédio, dava pra ver a agitada Piazza Duomo, os altos edificios à media distancia e montanhas com picos nevados ao longe. Estas, alias, sao um espetaculo à parte. Verdejantes na base, pareciam ter inveja do céu à medida que dele se aproximavam, contentando-se em pegar emprestado o branco das nuvens, para depois misturarem-se ao seu azul.

Dali descendo, rumamos para o Castello Sforzesco, belissima fortaleza, que hoje abriga um espaço multicultural, inculindo em seu acervo moveis, pinturas, esculturas e até mesmo mumias. Destaque era a inacabada Pietà Rondanini, de Michelangelo.

O que me chamou mesmo a atençao ali é que, diferente da maioria dos museus e monumentos em que estivemos anteriormente, no Castelo o povo se mistura com o seu patrimonio historico e cultural. Os jardins sao abertos, acessiveis a qualquer um, desde vendedores ambulantes até surpreendentes praticantes de capoeira (perdoem a ignorancia, mas nunca sei se devo chama-los de lutadores ou jogadores). Fato é que a populaçao italiana tem no local um gramado extenso, em que podem extender-se para passar o gostoso domingo de sol.

A proxima parada foi o Cenacolo Vinciano, prova de que Deus planeja o que eu nao planejei. As visitas devem ser reservadas com antecencia o que, é obvio, nao tinhamos feito. Fomos assim mesmo, tomando o risco, conforme aconselhado pela simpatica recepcionista do hotel. Na bilheteria, fui informado de que duas pessoas tinham acabado de cancelar as reservas para as 16:30. Sendo 15:15, ainda tivemos tempo de parar pra almoçar. Deus é gente fina à vera comigo!

No espaço esta "A ultima ceia", de Leonardo Da Vinci, uma das obras mais enigmaticas que ja vi até agora. Da Vinci devia ser uma esfinge em pessoa, conclui aquele que ja viu de perto o sorriso de Mona Lisa. A representaçao da Santa Ceia retrata o momento em que Jesus revela a seus apostolos que um deles viria a trai-lo. As expressoes, os gestos, os dialogos paralelos fazem com que a gente sinta até o gostinho do pao e do vinho.

Ah sim, no meio de toda a cultura, paradas em muitas lojas de marcas famosas que vendiam tudo com descontos tentadores, exigencia da companheira de aventuras. Nessa época do ano, tudo esta em liquidaçao aqui na Italia.

O dia terminou com um tipico gelatto italiano, de volta à Piazza Duomo, um de pistache e outro de chocolate bem forte. Depois de um jantar regado do Burger King, é hora de ir dormir pra amanha acordar cedo e pegar o trem para Veneza.

sábado, 7 de janeiro de 2012

No meio do caminho tinha uma praia

Se Marseille nos permitiu relaxar, Nice mais ainda. Chegamos na luxuosa cidade da Cote D'Azur na noite do dia 7, exaustos pela combinaçao do passeio durante o dia com a viagem de trem em seu final. So deu tempo de comer um sanduiche no Subway em frente ao hostel e dormir.

Visitar uma cidade fora de temporada tem muitas vantagens e a que Nice nos deu foi o descompromisso. Por ser uma cidade de praia, nessa época do ano fica bem tranquila, deixando o viajante à vontade para deixar o tempo passar suavemente.

Nao estava muito frio, cerca de 15 graus. O sol brilhava querendo queimar a pele e nenhum vento. Ainda assim, o povo andava todo encasacado. Caminhavam no calçadao, sentavam em cadeiras e espreguiçadeiras ou até mesmo na areia. Tudo de camisa e calça.

Botei logo minha bermuda, todo garotao, e fiquei deitado preguiçosamente torrando igual um nugget. O sangue carioca veio à tona e nao aguentamos: demos um rapido mergulho na agua fria do Mediterraneo, correndo logo de volta pro Sol. O som de Planet Hemp e Novos Baianos deram o toque final pra matar as saudades do Rio.

Depois de tomar uma agua com gas, fui dar um rolezinho jovem pela Promenade des Anglais, avenida que beira a orla e que inspirou o planejamento de Copacabana, levado pelo soul de Mayer Hawthorne. Como o frio começou a apertar, voltei pro albergue e, depois de uma lasanha de microondas, fomos a um pub irlandes, encontrar minha querida amiga Stellinha Artois.

Hoje, mais uma viagem, de Nice a Milano. Apesar das 7 horas passadas dentro de 3 trens regionais diferentes, o percurso merece ser feito pela ferrovia, de preferencia durante o dia. A rota segue quase sempre pelo litoral, dando uma visao privilegiada do Mar Mediterraneo pontuada por charmosas cidadezinhas italianas, com suas construçoes irregulares. Do outro lado, contrastam cadeias de verdes montanhas, as mais longinquas salpicadas de gelo no topo. De Genova para ca, a paisagem era um pouco mais bucolica, vastos campos dourados pelo por-do-sol, dos quais sombras de galhos secos se levantavam contra o ceu alaranjado.

Ao chegar em Milano, os votos de boas vindas ficaram por conta de um delicioso spaghetti com frutos do mar, que, alem do leve sabor de maresia, trouxeram um gostinho de saudade dos almoços em familia. Calma, dona Nilze, so mais 21 dias.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"I gotta find peace of mind"

Paris é uma cidade cativante, sem duvidas. Tudo o que dizem é verdade. Alias, é até pouco. No ultimo dia ali, passamos pela simbolica Praça da Bastilha, pela simétrica Place des Vosges e pelas sinistras catacumbas, esta proporcionando um tipo de passeio que nao é pra qualquer um.

Em Paris convivem a moda, a historia, a ostentaçao, a cultura, a luxuria. O tempo passado na Cidade Luz foi muito agitado, sempre pegando muito metro, correndo de um lado pro outro. Muitas coisas para ver, outras tantas para sentir. Confesso que ja estava me sentindo um pouco sufocado e Edgar, meu alter-ego de 60 anos, ja estava pedindo um break.

Foi ai que tomamos nosso rumo na direçao de Marseille, localizada no litoral sul da França, parte da regiao chamada de Provence. Uma viagem bem tranquila de TGV, Train de Grande Vitesse, cerca de 3 horas. Marseille era exatamente o que eu estava precisando: sol e cheiro de maresia. Edgar ficou particularmente satisfeito ontem a noite, quando lhe proporcionei uma volta cedo ao hostel para uma conversa bacana com pessoas das mais diversas, tudo regado a muito vinho, pistache e castanha de caju.

Marseille é sem duvida uma cidade para ser apreciada em uma época mais quente do ano, mas também proporciona aconchego e passeios interessantes no inverno. Ontem fomos logo visitar Notre Dame de la Garde, catedral localizada num ponto alto da cidade e que propociona uma vista maravilhosa da cidade banhada pelo Mediterraneo.

Levados pelo forte e frio vento, caminhamos pelo bairro antigo, passando por sobradinhos precarios, que exibiam roupas penduradas para o lado de fora das janelas, constratando com imponentes predios, como a Vieille Charité, construida para abrigar sem-tetos e refugiados, e a Cathédrale de la Major.

Hoje fizemos mais uma tentativa frustada de ir até o Chateau D' If, inacessivel devido ao mar agitado. Confesso que meu desapontamento foi grande e vi meu sentimento expresso na face decepcionada de um pequeno italiano que acabara de receber a noticia. Para chegar o mais proximo que podia da prisao mencionada no classico de Alexandre Dumas, o jeito foi pegar um passeio até o arquipelago de Frioul, passando em frente ao cativeiro de Edmond Dantes.

Nas ilhas, apesar do vento, o contato com o Sol e o mar azul renovaram meu animo depois da agitaçao de Paris. Embalado por Lauryn Hill, percorri diversos caminhos que levavam a lugar algum, simplesmente absorto em pensamentos. Ali, vendo Deus se revelar atraves do que criou, senti Seu amor me envolver e trazer renovo enquanto escutava a rapper derramando lagrimas ao cantar "what a mercifull, wonderfull Lord..." (http://www.youtube.com/watch?v=brWmS8As9Wk). Lembrei do amor e da misericordia de Deus e como isso faz diferença na minha vida. Pedi a Ele que me de novamente a chance de recomeçar e de viver de forma sincera e amorosa.

A noite, chegamos em Nice, que esta para ser descoberta amanha. O cansaço é grande, os dias sao ocupados e as noites insuficientes para renovar as energias. Mas ai me lembro: "O nosso ir faz o caminho".

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ponto alto

No primeiro dia do ano, comecei realizando um grande sonho: conhecer de perto a Torre Eiffel. Acordamos cedo, ainda mareados pelo dia anterior e tomamos nosso rumo.


A cada passo que davamos, cada trilho percorrido pelo metro, eu lembrava de tudo o que me fez chegar ate aqui: a dedicacao incondicional da minha mae, o amor exacerbado dos meus avos, os conselhos do meu pai. Pensei em como tudo isso era inatingivel para a maioria dos meus queridos e como tive que ralar para conquistar uma viagem como essa. Ao chegar debaixo da Torre, a emocao era uma mistura de alegria, orgulho e gratidao.


Subir ate o ultimo nivel? Mas e logico! Nao faze-lo seria um crime contra mim mesmo e contra eles. La de cima, tivemos uma vista panoramica de Paris, principalmente da Champ de Mars. O frio era cortante, mas Deus enchia o meu coracao de uma emocao que aquecia dos pes ao ultimo fio de cabelo.


Visitamos uma pequena feirinha que acontecia no Jardins du Trocadero, com direito a muitas fotos tendo a Tour Effeil como fundo. Apos comer uma tradicional baguete francesa, partimos para o Jardin de Lexembourg. Ali, um belissimo palacio e arvores se renovando.


Hoje levantamos junto com o Sol parisiense e rumamos na direcao do Musee National du Moyen Age, onde tivemos acesso a uma larga e rara colecao de objetos da Idade das Trevas, como livros, vitrais e esculturas. A tematica religiosa e quase uma regra.


Foi entao a hora de caminhar pela Champs-Elysees na direcao do Arco do Triunfo. No caminho, uma reproducao da chama da Estatua da Liberdade, em cima do tunel onde houve a tragedia que daria fim a vida da Princesa Diana.


Ao adentrarmos na famosa avenida, conhecemos um pouco da ostentacao e do dinheiro que rolam na cidade luz, atraves de muitas lojas de marcas conhecidas, rodeadas de madames carregando bolsas e vagabundos implorando por um trocado. Nao nego que passando pelas vitrines da vontade de comprar tudo, mas meu orcamento limitado so me permitiu uma mochila da Adidas e um fone de ouvido maneirasso na loja da Sony.


Ao final, em homenagem aos soldados mortos em batalhas e as vitorias na Nacao Francesa, se ergue o Arco do Triunfo. De perto, da pra ver o nome de muitos comandantes de tropas e placas homenageando o "Soldado Desconhecido". Este, alias, ainda rende uma labareda bem em frente ao Arco, que nunca de apaga. Ao chegarmos no topo, fomos recebidos por uma chuvinha chata, que logo passou e deu seu lugar a um Sol bem timido. A visao dali de cima e privilegiada, principalmente por render muitas fotos em frente a Torre Eiffel.


Para coroar o segundo dia de 2012, fizemos uma promenade pelo Rio Sena de Bateaux-Mouches, que nos permite comtemplar varios pontos turisticos iluminados, lembrando que estamos na Cidade Luz. A Catedral de Notre Dame e a Torre Eiffel sao especialmente bonitas a noite, mas tambem nao devem deixar de ser visitadas de dia.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Voulez-vous...

Paris tem sido bastante diferente dos outros lugares que visitamos. Nada que ja nao pudessemos prever.


Assim que chegamos na Cidade Luz percebemos que aqui a banda toca num ritmo bem diferente. O clima e de cidade grande; as linhas de metro, apesar de eficientes, sao muito confusas. Fomos recebidos com um ceu nublado, o que permanece ate hoje.


No dia 30, apos chegarmos ao hostel, fomos a Catedral de Notre Dame, um dos pontos mais visitados de Paris, ao lado de Sacre Coeur. Ali foi impossivel nao lembrar do Corcunda erguendo a cigana Esmeralda no alto da construcao e gritando "Santuario!!!". Lembrancas de uma infancia marcada por Mickey Mouse e sua turma.


Depois, debaixo de uma fina garoa, fomos ate o Musee D'Orsay. Os destaque sao os quadros de Van Gogh e Monet, alem de algumas obras de Toulouse-Lautrec, artista que viveu no comeco do seculo passado no boemio bairro de Montmartre e que retratava bem a rotina de cabares como o Moulin Rouge. Toulouse conseguiu nos mostrar a beleza mascarada das cortesas, que parecem que, quanto mais adornadas, mais procuravam esconder o cansaco e a decepcao com a vida que levavam. De Toulouse, no entanto, nao conseguiam esconder a contradicao entre o deleite de seus corpos e o peso de seus olhos.


Durante a noite, encontramos amigos muito queridos e acabamos nos deixando levar pela gostosa e saudosa conversa, mostrando a Paris que, ainda que ela seja Paris, tem coisas que nao se pode substituir.


No ultimo dia do ano foi a vez do descomunal Museu do Louvre. O lugar e uma viagem no tempo e no espaco. Uma larga colecao de reliquias do Egito antigo, uma enorme quantidade de esculturas gregas, uma infinidade de pinturas. Seus corredores parecem nao terem fim. E, de certa forma, realmente nao o tem. Mais do mesmo, as grandes atracoes foram a Monalisa, a Venus de Milo e o Codigo de Hamurabi.


No comeco da noite partimos para Montmartre, ate aqui meu lugar preferido. Saimos da estacao de metro de cara para o Moulin Rouge, o que rendeu muitas fotos de frente para o cabare mais famoso do mundo. De sua epoca de auge, muito pouco ou quase nada parece ter restado. Se restringe a uma atracao turistica para poucos, exibindo shows de cancan a preco de ouro. Mas pra quem assistiu o classico com Nicole Kidman e Ewan McGregor por vezes sem fim ja vale a pena ver de longe e lembrar dos classicos cantados do alto do Elefante.


Pelas ruelas de Montmartre, trocada na maternidade com a Lapa e Santa Teresa, ainda residem a boemia e a arte. Por perto do Moulin Rouge, muitos restaurantes aconchegantes, pubs e sex shops. Subindo suas ladeiras, descobrimos lojinhas que vendem de tudo: posteres, souvenirs, chocolate, biscoitos caseiros, quadros... No alto, chegamos a uma pracinha que acolhe, com amor de mae, muitos artistas, que parecem estar la desde sempre. Em seu entrono, muitos restaurantes e bares superfaturados, alem de timidas barraquinhas vendendo muito crepe com Nutella. Paris, alias, cheira a crepe de Nutella com cafe bem quentinho.


Ali de frente, contraste entre o profano e o sagrado, esta a Basilica de Sacre Coeur, que chama a atencao pela sua simplicidade. Montmartre retrata como poucos lugares a condicao humana, a encruzilhada entre o corpo e a alma. A igreja serviu de refugio para aqueles que fugiam da perseguicao dos romanos, na epoca em que a crucificacao era algo corriqueiro. Hoje ela ainda esta la, um refugio para a alma, em meio ao lugar que de tudo oferece ao corpo. Pude sentir muito bem o paralelo existente em meu ser, ao sair das agitadas ruas e ser acolhido pelo atrio silencioso.


Num restaurante ali perto, cercados de pessoas muito amadas, passamos a noite de Ano Novo, em um jantar cheio de alegria e bocejos. No menu, salmon, escargot, vinho branco e mousse de chocolate. Logico, fechando com um cafezinho.


Dessa forma 2011 se despediu, com todas as suas lutas e realizacoes. Agradeco a Deus por tudo o que aprendi, vivi, conquistei e batalhei nesse ultimo ano. A frente, um 2012 convidativo, trazendo mais viagens e casa nova. Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Prédios que falam


Só encontrei um problema aqui em Barcelona nesse pouco tempo: as pessoas nao sao lá muitos educadas. Empurram, correm na sua frente, quase te carregam junto. Pedir desculpa é para os fracos. Ah sim, e reclamam por qualquer coisinha. Pode ser exagero, mas me lembra a liçao de falta de civilidade que só quem pega as Barcas ou o metrô do Rio no sentido zona norte em horário de pico conhece.

Fora isso, esse recanto da cultura catala nos convida a voltar muitas vezes, principalmente para conhecer o seu verao. Ontem conhecemos um pub numa ruela que me remeteu ao labirinto boêmio da Lapa, no qual provei os famosos mojitos que, na minha sincera opiniao, perdem de longe para a boa e velha cervejinha gelada.

Ao acordarmos, corremos para fazer um tour 0800 oferecido pelo hostel, passando por diversas obras de Gaudí espalhadas pela cidade. É dificil descrever sua beleza. O arquiteto parecia nem sequer saber o significado da palavra limite. Com traços orgânicos e por vezes utilizando material reciclado, os prédios se diferenciam de tudo aquilo que possa ser visto.

As construçoes refletem um pouco da personalidade do artista: imponentes, singulares, arrogantes. Por outro lado, ainda mostravam que tudo tem dois lados, sempre com inspiraçao religiosa, demonstrando a reverência que tanto o criador quanto as criaçoes possuem pelo Leao de Judá e toda a sua história.

A Basílica da Sagrada Família é um capítulo a parte. Sobre o que senti ao observá-la, me resumo a dizer: ...

É preciso percorrer seu entorno e adentrar em seu átrio para compreender. Do lado de fora, há três fachadas, cada uma contando um pedaço da história do Messias. De um lado, o nascimento, incluindo trechos da infância de Jesus. De outro, a paixao do Cristo, com a última ceia, a crucificaçao e Sua ressurreiçao. O último lado, que sequer começou a ser construído, contará a glória da segunda vinda do Salvador, incluindo a Grande Tribulaçao descrita no Apocalipse. Enfim, o evangelho em forma de edifício, que, assim que estiver concluído, poderá anunciá-lo a tantos quantos tiverem olhos para ver.

De volta ao hostel, percebemos que havíamos esquecido de fazer o check-out antes de sair e acabamos sendo despejados: nossos pertences nos aguardavam na recepçao. Pelo menos nao cobraram mais uma diária! Agora fazemos hora para pegar o trem noturno de Barcelona a Paris, onde passaremos o Ano Novo com pessoas queridas, que já nos aguardam com uma ansiedade da qual partilhamos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Barça

No fim das contas deu tudo certo. Acordamos mais uma vez antes de amanhacer e pegamos com muita tranquilidade o trem para Barcelona. De certa forma, sair de Madrid foi um alívio por causa do hostel que deixou bastante a desejar. Acho que o povo do Living Lounge Hostel (http://www.lisbonloungehostel.com), em Lisboa nos deixou mal acostumados.

Depois de tomar um café com leite e comer um maça, tive o nascer do Sol mais uma vez embalado por Gerson Borges, dessa vez seguido por Jorge Camargo, que confessou em "Imensidao" (http://www.youtube.com/watch?v=YPOfvJnQXUQ) que partilha do meu desejo de "provar o sal, o sol, o céu, o rio e o riso". Apaguei e só acordei em Barcelona.

Aqui chegando senti que o clima é outro, mais leve. Típico de cidade com praia. Fomos correndo ao estádio do time homônimo, onde por meio de um tour superfaturado (22,00 E) conhecemos o estádio com estrutura de fazer inveja, a sala de troféus, os vestiários, a sala de imprensa e os camarotes. Legal mesmo foi ver os nomes de Roberto Dinamite e Romário entre aqueles que fizeram história no grande clube. Nao pude evitar comprar alguma coisa da mega store que eles mantêm.

Como o tempo aqui é curto, fomos com pressa para o Museu de Picasso, que mostra toda a evoluçao do artista, principalmente todo o seu trabalho em cima da obra "Las meninas", pintura de Diego Velázquez da qual tomou a liberdade de fazer diversas variaçoes. Desse jeito, a gente percebe que, através dos olhos de um gênio, uma mesma cena pode ter mútiplas interpretaçoes e representaçoes e ainda assim manter sua beleza.

Ali perto está a imponente Basílica de Santa María del Mar, construçao de estilo gótico, que se esconde entre as ruelas do bairro cheio de construçoes do gênero.
O alto vitral permitia que a luz do Sol penetrasse tímida e multicolorida no seu átrio sombrio, um contraste que retrata bem a forma multifacetada como Deus projeta sua luz no mais escuro de nossas almas.

O finalzinho de tarde e começo de noite rendeu um passeio a pé por La Barceloneta, onde o mar saudava os praticantes de esportes e dava destaque às contruçoes levantadas na orla.

Com tantos gastos, tanto de energia quanto (principalmente) de dinheiro, nao será dessa vez que vou conhecer a noite de Barcelona, tao comentada. Hora de descansar e planejar o dia de amanha, além da nossa tao aguardada chegada em Paris.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Banho de lama e cultura

De Lisboa até aqui foi um longo caminho. Pegamos um trem noturno até Madrid, perfazendo cerca de 9 horas de viagem. No entanto as vantagens eram muitas: economizei uma noite de albergue, tive uma cama caprichada onde pude descansar, os atendentes eram muito simpáticos e atenciosos. A viagem de trem foi perfeita. Ainda por cima fiz a primeira refeiçao decente desde que cheguei aqui: risoto de pato, paozinho quentinho com manteiga, uma deliciosa cerveja portuguesa e iogurte de sobremesa. Tudo por míseros 8,50 E.

Ontem vistei o Centro de Arte de Reína Sofía, onde pude apreciar, dentre outros, quadros de Miró, Picasso, Kandinsky, Monet, e, meu favorito, Salvador Dalí. Incrível ver quadros tao famosos de perto, apreciar cada traço e o contraste das cores. A grande atraçao era "Guernica", de Picasso, que retrata o ataque alemao à cidade de mesmo nome, durante a Guerra Civil Espanhola. O tamanho da obra parece querer fazer jus à grandiosidade do evento que a inspirou. Emocinante.

Depois, passamos o fim de tarde e início de noite no Parque del Buen Retiro, com um ambiente familiar e propício a uma vida saudável. O parque contém o belo Palácio de Cristal e uma estátua chamada "El ángel caído", a primeira dedicada a Lúcifer. Vale a pena conferir.

À noite foi hora de conhecermos um pouco da noite de Madrid, através de um pequeno tour por três boates, a última com direito a salsa e tudo. A galera aqui sabe mesmo se divertir na noite.

Hoje acabamos acordando tarde e, pela primeira vez, eu e Isa tomamos rumos diferentes. Continuei minha turnê pelos Museus, conhecendo o Museo del Prado e o Museo Thyssen- Bornemisza. Apesar de cansativo, foi muito bom ficar cercado de arte o dia todo, principalmente no Museo del Prado, em que havia muitas pinturas que retratam passagens bíblicas, um verdadeiro evangelho através de quadros.

Assisti o por do Sol em Frente ao Palacio Real, no qual nao pude entrar por já ter terminado o horário de visita. Mas a praça em frente proporcionou uma bela visao do Sol adormecendo preguiçoso sobre Madrid, com direito a um violinista de rua tocando o tema de "Perfume de Mulher". Belo jeito de terminar o dia, já que a edificaçao por si só é espetáculo à parte. No caminho para lá, passei pela Plaza Mayor, lotada de barraquinhas, crianças, artistas de rua e muita festa.

Passei rápido no hostel onde encontrei minha fiel companheira de aventuras e decidimos terminar nossa estadia em Madrid explorando a música e a dança local. Em um restaurante aqui perto, que convidava todos a entrarem com seus azulejos ornamentados, assistimos a um belo show de flamenco acompanhados por uma cerveja de cortesia. Muito mais gostosa assim.

Madrid foi desgastante, apesar de ter proporcionado um banho de cultura. A cidade é muito agitada, tanto de dia quanto à noite, boa pra quem está atrás de um lugar que combine festa e erudiçao. Nosso receio agora é de nao conseguirmos acordar a tempo de pegar o trem às 7:30 da manha para Barcelona.

domingo, 25 de dezembro de 2011

"Um rosto querido me olha eu choro, eu perco o chão" *

Ontem foi a primeira vez que senti a punhalada da saudade cortando o peito. Apesar de estar há pouco tempo longe de casa, Natal é Natal. Estava segurando a onda, tentando não pensar na data que, durante 23 anos passei ao lado da família, com fartura de comida, gargalhadas e reclamações. Mas como tudo estava fechado por aqui, ficamos pelo albergue e consegui falar com minha mãe pelo skype. Dona Mônica se segura, mas foi só passar pra Vó Nilze e Tia Marta que as lágrimas rolaram soltas. Primeiro delas e as minhas em seguida, numa estreita relação de causa e consequencia. Falei com o resto do povo e fui dormir.

Hoje Gerson Borges me embalou no comboio a caminho de Cascais, cidadezinha praiana, que despertou minha atenção desde o começo. Como saímos antes mesmo de amanhecer, tive uma visão privilegiada do Sol saindo de dentro do Tejo, o que por si só já valeu pelo dia inteiro. Como se já soubesse da nostalgia da noite anterior, Gerson cantou "Janelas", enquanto eu apreciava a obra de Deus através da minha.

Em Cascais o céu se tingiu de um forte azul, se recusando a utilizar o branco de sua aquarela. Caminhamos até um farol, apreciando sempre a vista do mar. Depois de comer uns sanduíches com uma Fanta laranja bem pálida, me arrastei um pouco mais pela orla agradecendo a Deus por tudo o que se passou até aqui e me achegando a Ele pra que daqui pra frente esteja ainda mais do meu lado.

A volta foi abreviada pela necessidade de deixarmos tudo pronto para pegar o trem às 22:30 para Madrid, viagem de 12 horas. No hostel, aproveitei para planejar esses próximos dois dias na terra do flamenco e pesquisar algumas opções para Barcelona, principalmente uma visita ao tão famoso clube que leva seu nome.

*Trecho retirado da canção "Janelas", de Gerson Borges.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Greve dos comboios

É fácil perceber os reflexos da crise aqui em Portugal. Basta tocar no assunto e as pessoas se mostram indignadas com o Euro, com o FMI e quem mais se meter na frente. Não tinha como não sentirmos pelo menos um pouco das consequencias da situação que nossos amigos lusitanos enfrentam. Ontem estourou uma greve nos trens de Lisboa, aqui chamados de comboios. Por isso, os serviços estão reduzidos em 80%.

Assim sendo, saímos cedo pra conhecer a charmosa cidade de Sintra. Aqui o pessoal leva o Natal a sério: às 3 da tarde tudo fecharia, então tínhamos que ser rápidos. A bordo do comboio para Sintra, uma conversa divertida com pessoas bacanas que conhecemos no hostel, alternadas com apreciação da paisagem ao som de Maria Rita.

Chegando lá, de longe já era possível ver os imponentes Palácio de Pena e Castelo dos Mouros se debruçando sobre as montanhas, deixando claro que ali o território era deles. Partimos para o primeiro, onde muitos reis de Portugal viveram. Festival de corredores, torres, salões com paredes desenhadas e tetos minuciosamente trabalhados. Cada móvel, cada louça e vitral eram de beleza ímpar, levando-nos de volta a uma era de muita ambição e vaidade. Características que parecem estar atreladas à humanidade, revelando-se em cada época de uma forma singular.

Partimos para o Castelo dos Mouros, fortaleza construída no século IX (Babi, me perdoe se estiver errado), durante a época de dominação muçulmana. Com um estilo totalmente diferente, os labirintos de rochas traziam uma atmosfera de vigilância, principalmente pela vista de toda a cidade de Lisboa que proporciona.

Como se estivesse me desejando Feliz Natal, Sintra preparou uma pracinha perto da estação dos comboios só pra que eu pudesse passar meu fim de tarde deitado num banco assistindo o Sol se por atrás das colinas com Little Joy soando aos ouvidos.

Neste refúgio, as árvores com poucas folhas castanhas fizeram questão de me despedir ensinando que precisamos deixar que o tempo leve aquilo que já está desgastado, impedindo nosso prosseguir, para que outras venham, novas, frescas, verdes. Necessidade de celebrar a vida.

Assim, peguei o comboio de volta a Lisboa guiado por Chico Buarque, trazendo lições, memórias e um puta sono.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um grande navegador

Ao acordar ontem descobri que o hostel tinha mais uma surpresa pra gente: café da manhã de graça com panquecas. Pronto, o dia já começou bem. Não pude degustá-las como queria, porque estávamos meio em cima da hora pra pegar a excursão do hostel para Belém. E o melhor: de graça.

Fomos até o Monumento do Descobrimento, construído próximo ao porto de Belém para celebrar os descobrimentos feitos pelos portugueses. Lembranças de uma época que nossos colonizadores guardam com carinho, em que Portugal teve hegemonia dos mares e do comércio de especiarias por mais de um século.

Depois visitamos a bem trabalhada Torre de Belém, levantada principalmente para proteger o porto. Dali, a visão da infinitude do Tejo era renovadora.

Pagando 10 euros, também tivemos acesso ao Monastério de São Jerônimo. O lugar serviu de abrigo para monges e freiras, parecendo ter cumprido bem o seu propósito. Na região central havia um jardim com um chafariz onde facilmente eu passaria uma tarde inteira ao sol lendo um livro, ouvindo música boa ou mesmo em momentos de reflexão. Provavelmente os monges e freiras faziam diferente, mas com certeza também meditaram muito por ali. Os corredores inspiram silêncio e fazem acalmar a alma.

O Monastério e a imponente capela adjacente abrigam túmulos de notáveis personalidades portuguesas, entre os quais se destacam Fernando Pessoa, Camões e, claro, o mais ilustre navegador de todos os tempos, que dá nome ao Gigante da Colina: Vasco da Gama. Não teve jeito, foram muitas fotos tiradas.

O fim de tarde foi brindado com os melhores pasteizinhos de Belém e um café bem quente pra espantar o frio de um dia marcado pela neblina.

Hoje fui presenteado duas vezes: realizei o grande sonho de conhecer um oceanário e encontrei um casal de amigos muito queridos. Encontramos Léo e Letícia no metrô e seguimos juntos para o Oceanário de Lisboa. O abrigo de milhares de espécies marinhas fica na parte mais moderna da cidade, cercado de muita beleza natural e arquitetônica. Lá dentro, tubarões, raias, pinguins e tartarugas marinhas, lembrando de um velho sonho de estudar biologia marinha.

Com companhias tão agradáveis, o dia só poderia ter sido como foi: muito agradável, com direito a risadas à vontade e procura pelo lugar mais barato para almoçar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Próximo ao métro

Chegamos em Lisboa cerca de 8 da manha. Depois de um longo voo marcado pelos filmes que tinham sonoplastia de chiado constante e pessoas saltitantes na fileira de trás.

Apesar de não sabermos direito onde ficava o albergue (fruto do meu longo planejamento), não tivemos dificuldade em achá-lo, graças a um eficaz sistema de transporte e a solicitude dos patrícios. Logo ao lado da estação do metrô fica nosso abrigo para os próximos dias.

Brinadando o começo de nossa aventura, o Sol nos veio receber com entuasiasmo, preocupado em fazer brilharem as águas do Tejo e caprichando na hora de revelar as variadas cores das casinhas de fachada antiga. Sem inibição alguma, secou roupas penduradas do lado de fora das janelas, trazendo um clima de cidade do interior.

Quatro diferentes igrejas, cada uma exibindo um encanto particular se colocaram na nossa frente. Uma pequena e acolhedora, outra suntuosa e exigente com o bolso. Uma reluzente e alva, outra com cores de tijolos medievais.

Nesta, encontramos o tesouro da Sé de Lisboa. A grandiosidade da edificação remetia à pequenez do ser humano diante de Deus. Talvez templos tão imensos sejam obras dispendiosas e desnecessárias, já que Deus veio ao mundo encarnado em simplicidade, mas não posso negar que nos intima à reverência.

Nas diversas peças de ouro minuciosamente trabalhado e outras de linho caprichosamente tecido, pude recolher-me para entender a precisão e cuidado que Deus tem para tecer as linhas de nossa vida e moldar nosso ser.

No Castelo de São Jorge tivemos o privilégio de parar um pouco e aproveitar o cochilo caprichado debaixo da sombra de uma árvore, enquanto Lisboa se exibia lá embaixo, toda prosa. o interior do castelo, uma peça em particular, um jogo de espelho e imagens que jamais entenderei, é, sem dúvida, a vedete protegida pelas altas muralhas. Ali, é projetada com perfeição uma imagem de 360 graus dos arredores do castelo.

À noite, Lisboa nos brindou com a tranquilidade digna de uma quarta feira à noite. Ótima oportunidade para dormir cedo e se preparar para Belém amanhã.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pré-fácil

Jantei assistindo L.A. Ink e vi que já está tarde. O dia amanhã vai ser agitado, preciso dormir. Mas como? Como dormir assim em meio a mochila, botas, passaporte, passe de trem, passagem, Travel Money?


Ansiedade é normal. E confesso que, a esta altura, é a melhor sensação que eu poderia ter. Já foi um misto de medo, tristeza, alegria, cagaço, desânimo... Minha velha companheira agora é o que menos atrapalha.


Chegou a hora de ir viver um sonho, por mais clichê que possa soar. Um sonho que, como todo sonho interessante, tem várias reviravoltas e se transforma num piscar de olhos. Daqueles que você tá escovando os dentes e de repente se vê no meio de um filme do Tarantino.


Decidi fazer um mochilão pela Europa no começo desse ano. Era pra ser um intercâmbio, mas desde que deixei de ser um pobre estagiário para ser um reles funcionário público ficou inviável passar mais de um mês lá fora. Foi aí que decidi que viajaria, simplesmente. Muitos ouviram minha ideia, quase todos se empolgaram, alguns levaram a sério e ninguém quis ir até o fim.


Resolvi, então, que iria sozinho. Há muito tempo vinha prometendo a mim mesmo um tempo longe de tudo e todos e essa parecia ser a oportunidade perfeita. Estava em débito comigo e decidi quitar a dívida.


Comecei a planejar algumas coisas e Deus me fez uma grande surpresa: arranjou a melhor companheira de viagem que eu poderia ter. E ela estava disposta a entrar na minha onda, esquecer um pouco do que se passa entre a Moreira César e a Gavião Peixoto para explorar novos horizontes.


Amanhã embarcamos para aquela que promete ser a viagem da minha vida so far... Não é simplesmente conhecer lugares novos, meu grande desafio nesses próximos 40 dias é conhecer a mim mesmo. Desatrelado do cotidiano, das influências do que me rodeia. Absorto em mim mesmo. E em Deus, acima de tudo.


O ser humano é assim mesmo, precisa conhecer coisas novas para dar valor às velhas. Entender o complexo para apreciar o singelo. Viver o diferente para aprender a lidar com o corriqueiro.


E assim começo minha breve jornada. Com fé, vontade e gratidão.


“O nosso ir faz o caminho”...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Indo


"Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho." C.S.Lewis



O ir



foi com ele que aprendi


fácil como caminhar


amor é só fazer amar


andar é acordar


estar do lado


sorrir pra quem cantar


chorar com a outra lágrima


descansar, dividir


entregar o ir



-Felipe Vellozo